Os trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP cumprem uma greve nacional de três dias entre domingo e terça-feira, em protesto contra a proposta de regulamento de carreiras e reclamando aumentos salariais e o cumprimento do acordo de empresa.

Em comunicado, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) aponta a greve nacional como a “última forma de luta” face à “recusa de diálogo e a inoperância, há vários meses, na resolução dos problemas dos trabalhadores por parte do Conselho de Administração da CP”.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da CP não quis comentar as reivindicações do sindicato, adiantando apenas que “o tribunal arbitral decretou serviços mínimos da ordem dos 25%”.

Na sua página na Internet, a empresa alerta, contudo, para “perturbações significativas a nível nacional em todos os serviços” nos dias da greve, com possível impacto nos dias anterior (sábado) e seguinte (quarta-feira) à paralisação.

Os trabalhadores protestam contra a proposta de regulamento de carreiras apresentada pela CP, que dizem prever “um aumento da polivalência de funções” e a “junção e extinção de categorias profissionais”, considerando que tal “vai pôr em causa postos de trabalho presentes e futuros”.

Reclamam ainda a “melhoria do salário base, que atualmente está no limiar do salário mínimo nacional”, e a “reposição das perdas salariais sofridas pelos ferroviários operacionais que foram contagiados pela pandemia provocada pelo covid-19, bem como pelos que tiveram de cumprir confinamento profilático por estarem em contacto com colegas infetados”.

O SFRCI acusa também a CP de “violação do acordo empresa em vigor” e exige a “aplicação do acordo assinado com o Ministério das Infraestruturas em 2018, relativo à certificação do agente de acompanhamento”.

A “manutenção dos níveis segurança ferroviária” é outra das reivindicações feitas, com o sindicato a considerar que estes “estão a ser colocados em causa pela CP e pelas alterações impostas pelo IMT [Instituto da Mobilidade e dos Transportes] aos regulamentos gerais de segurança, cujo objetivo é servir as empresas privadas que reduzem postos de trabalho e custos com segurança ferroviária”.

Finalmente, a greve visa condenar o “abuso do poder disciplinar” que os trabalhadores dizem vigorar na CP.

Embora considere que a paralisação foi “enormemente limitada nos seus efeitos” pelos serviços mínimos determinados pelo tribunal arbitral, lamentando que “o direito a viagens de lazer em comboio Intercidades se sobreponha ao direito à greve”, o sindicato garante que “os trabalhadores não vão desmobilizar”.

“Certos árbitros hoje existentes no Conselho Económico e Social pretendem extinguir o direito à greve, mas os trabalhadores ferroviários têm um histórico de resistência e luta pelos direitos fundamentais”, sustenta.

De acordo com o dirigente do SFRCI António Lemos, são abrangidos pelo pré-aviso de greve “800 a 1.000 trabalhadores” das carreiras comercial e de transportes da CP.

Segundo a CP, quem já tiver bilhetes para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, poderá solicitar o reembolso do valor total do bilhete adquirido ou a sua revalidação, sem custos.

. / RL