O porta-voz e advogado do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, Pedro Pardal Henriques, disse esta terça-feira aos jornalistas que a greve "pode durar dez anos se for preciso", já que os motoristas que aderiram à paralisação estão a ser recrutados para trabalhar - devido aos serviços mínimos e requisição civil - e estão, por isso, a ser remunerados, não se colocando a pressão de terem de sobreviver sem salários. 

Segundo Pardal Henriques, a desconvocação da greve não estará para breve porque os motoristas "não têm nada a perder". "A requisição civil não veio tirar força à greve", garantiu o porta-voz, que falava aos jornalistas em Aveiras de Cima, Lisboa, à porta da sede da CLC - Companhia Logística de Combustíveis.

Pardal Henriques disse ainda que a requisição civil não é justificada, uma vez que os serviços mínimos estavam a ser cumpridos, mas que os combustíveis irão faltar porque os motoristas estão apenas a cumprir turnos de oito horas e a recusar trabalhar horas extraordinárias.

Se eles fizerem o seu horário de trabalho, não é suficiente para abastecer o país", frisou. "Gostava era que os prtugueses questionassem quanto é que é gasto neste aparato policial", acrescentou, dizendo que os gastos com as forças armadas mobilizadas para a greve poderiam ser suficientes para pagar aos motoristas os aumentos reivindicados. 

Bastou um dia de greve para ficarem 600 postos sem abastecimento e para ser a loucura no aeroporto. Hoje vai ser pior, o que estava ontem vai agravar-se e estas pessoas não têm nada a perder", destacou.

Sobre as escalas dos motoristas, Pardal Henriques disse ainda que os motoristas têm sido convocados para começar a trabalhar às seis ou sete da manhã e, dada a recusa das horas extra, saem do trabalho ao início da tarde, razão pela qual é natural que fiquem postos de combustíveis por abastecer e que o Governo parece querer, com os militares, colmatar as falhas dos turnos que ficam por preencher. "É a desorganização total, querem mostrar que o país está a andar e, além deste aparato policial, querem mostrar que os camionistas estão todos a trabalhar e escalam-nos todos para as seis da manhã", resumiu.

O advogado do sindicato de motoristas de matérias perigosas considerou ainda uma “vergonha nacional”, e “um ataque violentíssimo à lei da greve”, o Governo substituir motoristas que já cumpriram oito horas diárias de trabalho por militares.