O Governo disse este domingo que irá realizar-se uma reunião na terça-feira entre o sindicato dos motoristas de matérias perigosas e a associação patronal, caso o plenário da estrutura sindical desconvoque a greve, disse à Lusa fonte governamental.

Caso o plenário do sindicato desconvoque a greve, a reunião no Ministério das Infraestruturas e Habitação, terça-feira, pelas 16:00, está confirmada”, referiu a mesma fonte, sem acrescentar mais informações.

 

Ja no briefing realizado ao final da manhã deste domingo, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, admitia que se a greve fosse desconvocada o Governo estaria pronto para reunir o mais rapidamente possível com as duas partes, na tentativa de chegar a um entendimento. 

A greve dos motoristas de matérias perigosas está hoje no seu sétimo dia, com as atenções voltadas para um plenário de trabalhadores, que decorrerá esta tarde e que deverá decidir sobre a continuidade da paralisação.

O plenário decorre pelas 16:00 em Aveiras de Cima (Lisboa), depois de ter falhado um acordo mediado pelo Governo numa reunião que durou cerca de 10 horas e que terminou na madrugada de sábado.

No sábado, a associação das empresas de transportes de mercadorias (Antram) disponibilizou-se para integrar um processo de mediação junto da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, afirmando ser convicção da “associação que um processo de mediação, realizado em clima de paz, poderá conduzir à solução do problema”.

De seguida, o porta-voz do sindicato de motoristas de matérias perigosas, Pedro Pardal Henriques, disse ver com agrado a disponibilidade da associação, mas ressalvou ser necessário que a base de entendimento já debatida seja aceite.

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) divulgou mesmo um comunicado no qual apelou à Antram para aceitar a proposta de compromisso que o Governo articulou com aquela força sindical, abrindo “caminho para a paz duradoura”.

No comunicado, o SNMMP refere que o Governo deverá utilizar “as ferramentas que ainda tem ao seu dispor para chamar à razão a Antram”, fazendo “chegar uma proposta que cumpra mínimos de dignidade, por forma a ser apresentada aos motoristas de matérias perigosas” no plenário desta tarde.

Cada vez menos motoristas em greve

Num briefing para fazer um balanço da situação ao sétimo dia de greve, o ministro do Ambiente disse este domingo que os serviços mínimos foram ultrapassados e cumpridos a 123%. De acordo com o governante, no sábado “estavam previstos 256 transportes de combustível e foram executados 315”.

Este domingo, dia em que é feito apenas abastecimento de combustível aos aeroportos, ao final da manhã em Faro tinham sido feitas 10 das 28 viagens previstas e no aeroporto de Lisboa tinham sido feitas 60% das viagens previstas, número muito superior ao de sábado à mesma hora, frisou o ministro. 

Matos Fernandes acrescentou ainda que as duas refinarias, de Sines e Leça da Palmeira, estão também "em prontidão" para satisfazer qualquer abastecimento necessário a um posto de combustível em rutura, sendo que nesta altura houve apenas um pedido nesse sentido.  

Segundo o ministro, este domingo há três equipas de militares  a fazer transporte de combustíveis da CLC de Aveiras de Cima para o aeroporto de Lisboa, substituindo estas equipas três trabalhadores que se ausentaram por baixa médica, e que há mais seis equipas em prontidão caso os motoristas não se apresentem ao trabalho esta tarde devido ao plenário do sindicato. Porém, a utilização das Forças Armadas tem vindo a reduzir porque, afirmou o governante, há cada vez menos motoristas em greve,

A greve começou na segunda-feira, 12 de agosto, por tempo indeterminado, para reivindicar junto da Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

A paralisação foi inicialmente convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas (SIMM), mas este último desconvocou o protesto na quinta-feira à noite, após um encontro com a Antram sob mediação do Governo.

No final do primeiro dia de greve, o Governo decretou uma requisição civil, parcial e gradual, alegando incumprimento dos serviços mínimos que tinha determinado.