O presidente da comissão parlamentar de inquérito à CGD, José de Matos Correia (PSD), anunciou que vai decidir entre hoje e quinta-feira se tem condições para continuar a exercer as suas funções e que nesse dia anuncia a sua decisão.

"Entre hoje e amanhã vou ponderar se tenho condições para continuar a ser o presidente desta comissão de inquérito. E amanhã anunciarei a minha decisão", afirmou o deputado social-democrata no final da reunião de hoje daquele órgão parlamentar.

José de Matos Correia justificou esta posição por "ter dúvidas" de que esteja a conseguir assegurar o "respeito dos interesses das minorias", isto é, dos grupos parlamentares do PSD e do CDS-PP, que têm menos representação nesta comissão devido ao resultado das eleições legislativas.

Este anúncio foi feito depois de os grupos parlamentares que suportam o Governo socialista (PS, Bloco de Esquerda e PCP) terem chumbado os requerimentos apresentados pelo PSD e pelo CDS-PP relativos à utilização da informação trocada entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) António Domingues, sobre as condições para que o último aceitasse o convite do Governo para liderar o banco público.

Esquerda e direita em discussão acesa

Os ânimos aqueceram durante a reunião de hoje da comissão parlamentar de inquérito à CGD, com os partidos que suportam o Governo (PS, BE e PCP) e a oposição (PSD e CDS) a trocarem acusações duras entre si.

A utilização ou não, por parte da comissão de inquérito, da documentação trocada entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Domingues, antes de o último aceitar o convite para liderar o banco público, foi o tema de discórdia.

Tal como anunciado, os requerimentos apresentados pelo PSD e CDS-PP para que as informações trocadas entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da CGD António Domingues sejam usados na comissão parlamentar de inquérito foram chumbados pelo PS, BE e PCP.

Os grupos parlamentares que suportam o Governo socialista consideram que os documentos que António Domingues enviou para a comissão de inquérito, num total de 176 páginas, ultrapassam o objeto da mesma, pelo que inviabilizaram a sua admissibilidade.

Este desfecho já era esperado, depois de a matéria ter sido discutida na terça-feira numa reunião da mesa e dos coordenadores da comissão e de o presidente deste órgão parlamentar ter revelado aos jornalistas, no final dos trabalhos, que os pedidos de PSD e CDS-PP para que as trocas de comunicações entre Mário Centeno e António Domingues integrassem os trabalhos foram chumbados provisoriamente.

Desde logo, apontou para que a decisão fosse formalmente tomada hoje, em reunião à porta aberta, o que se verificou.

O objeto desta comissão parlamentar de inquérito abarca a gestão do banco público entre 2000 e 2015.