O comissário europeu dos Assuntos Económicos não quis comentar as medidas de corte de despesa que o primeiro-ministro anunciará esta noite, considerando que seria «prematuro e inapropriado».

«Penso que seria prematuro e inapropriado comentar as medidas que o Governo pretende tornar públicas ainda hoje. Portanto, não farei comentários sobre essa matéria», afirmou Olli Rehn na conferência de imprensa onde foram apresentadas as previsões económicas da primavera da Comissão Europeia.

Rehn lembrou também que Bruxelas trabalha «em parceria com Portugal, com o seu Governo, com o seu povo para facilitar a saída de Portugal do programa [de assistência económica e financeira] e o regresso aos mercados financeiros e, especialmente, para facilitar o caminho para a recuperação, para o crescimento sustentável e para a criação de emprego».

Recorde-se que o primeiro-ministro tem agendada para esta noite, às 20 horas, uma comunicação ao país, onde vai apresentar as principais medidas de redução da despesa estrutural, que deverão representar um corte de cerca de 4,7 mil milhões de euros na despesa entre 2014 e 2016.

Nas previsões económicas conhecidas hoje, Bruxelas cortou as projeções para a economia nacional, e avisou que continuam a existir riscos que podem levar a novas revisões em baixa. Para além disso, admitiu receios de que as novas medidas de austeridade, que o Governo vai detalhar no Orçamento Retificativo (a entregar à Assembleia da República em meados do mês), para substituir as que foram chumbadas pelo Tribunal Constitucional, voltem a não passar no crivo.
Paula Martins