O Lone Star mostra-se "muito otimista" em relação a Portugal e ao futuro da economia e vê no Novo Banco um "enorme potencial por explorar". Razões mais do que suficientes para o fundo norte-americano querer ficar com o banco. Embora seja o favorito do Banco de Portugal, o supervisor vê "condicionantes" na sua proposta. Sobre elas, o Lone Star não fala. Deixa apenas uma mensagem otimista e algumas promessas.

Vamos continuar a trabalhar incansavelmente com o Banco de Portugal, o Fundo de Resolução e o Governo português para assegurar um acordo final para apoiar a reestruturação do Novo Banco, para um benefício de longo prazo dos seus clientes, colaboradores, credores e da economia portuguesa em geral". 

São essas as primeiras palavras do presidente da empresa para a Europe, Oliver Brahin, que diz ainda compreender "a importância de dar os passos necessários" para ajudar a "restabelecer a saúde financeira", numa "perspetiva de longo prazo". Frisa, portanto e novamente, que está a pensar num negócio com um horizonte temporal amplo.

Deixa expressa, nesse sentido, a intenção de alocar "capital, recursos e os conhecimentos necessários" para que a instituição "continue a ser um pilar forte no sistema bancário português, com especial enfoque no mercado interno".

Puxando dos galões no que toca ao seu currículo de negócios em Portugal, a Lone Star responde aos críticos, garantindo que "cumpre as suas promessas" e que obedece à regulamentação em vigor, com uma "abordagem responsável", querendo estar ao nível das "melhor práticas" do mercado. Compromete-se, ainda, a "tratar as pessoas com dignidade e respeito".

Quando foi notificado pelo Banco de Portugal sobre este candidato mais bem colocado, o Governo frisou que a venda não pode ter impacto nas contas públicas. O ministério de Mário Centeno vê como positivo o facto de o Lone Star estar disponível para ultrapassar algumas "condicionantes" e de outros interessados poderem melhorar as suas propostas. Está tudo em aberto mas, indicou também, há urgência em concluir o processo.

Tanto quanto se sabe, a Lone Star oferece 750 milhões de euros pelos 100% do capital a que se juntam mais 750 milhões, a injetar na instituição. Além disso, o fundo admite criar uma entidade paralela para parquear os ativos problemáticos do banco, disponibiliza-se para gerir o risco e trabalhar com o estado na eventual recuperação do capital. A proposta terá um senão: os rumores dizem que o Lone Star exigia uma garantia estatal superior a 2 mil milhões de euros.  

Certo é que o ministro das Finanças já veio recusar dar garantias a privados e, em última análise, não exclui nacionalizar o banco.