As vendas de peixe fresco caíram 60% desde o início do confinamento devido à pandemia de Covid-19 face ao período homólogo, impactadas, sobretudo, pelo encerramento dos espaços de restauração, enquanto as de peixe congelado cederam 30%, foi anunciado.

De acordo com os dados da Associação da Indústria Alimentar pelo Frio (Alif), enviados à agência Lusa, no período em causa, em média, “as vendas de pescado congelado sofreram uma quebra de 30% devido à pandemia”.

Por sua vez, as vendas de pescado fresco baixaram cerca de 60% devido ao “importante papel que a restauração representa no escoamento deste produto”.

No entanto, a associação prevê que a retoma da pesca da sardinha, a partir de junho, e a “consequente procura dos portugueses pela tradição” possa alterar este cenário."

Venda de conservas de peixe triplicou em março mas cedeu desde abril 

Já as vendas de conservas para a grande distribuição triplicaram em março, face ao período homólogo, mas “caíram drasticamente” a partir de abril, não sendo ainda possível perspetivar a evolução de consumo no verão, foi anunciado.

“Na primeira quinzena e mesmo até nas primeiras três semanas de março, algumas cadeias anteciparam a procura e as vendas da indústria para a grande distribuição subiram exponencialmente, cerca de 200%”, indicou o presidente da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP), em declarações à agência Lusa.

Conforme apontou José Maria Freitas, na grande distribuição as vendas cresceram, neste período, entre 130% a 140%.

Já a partir de abril, as vendas da indústria para a distribuição registaram uma “descida abrupta”, referiu este responsável, sem revelar valores, acrescentando que esta evolução pode ser justificada com o nível de ‘stock’ armazenado.

Por categoria, a procura por conservas de atum continua a liderar a tabela, seguindo-se a sardinha e a cavala e, no final da lista, especialidades como polvo e lulas.

O presidente da ANICP notou ainda que este fenómeno está agora com “uma tentativa de diminuição”, potenciada pelo regresso dos consumidores às grandes cadeias, onde efetuam compras “mais massificadas”.

No entanto, permanece a incerteza quanto à evolução das vendas no verão, período no qual são historicamente mais elevadas.

“A nossa dúvida é o que vai acontecer no verão […]. É também extremamente difícil fazer uma avaliação de como vai estar [a procura] quando isto acabar. Pode verificar-se uma alteração de hábitos alimentares”, vincou.

Até ao momento, a evolução do consumo não tem afetado o preço de venda à grande distribuição como ao consumidor, uma vez que grande parte dos produtos regem-se por cotações mundiais, que não sofreram alterações significativas.

Ainda assim, algumas matérias-primas, nomeadamente, azeite e óleos chegam agora ao mercado a preços mais reduzidos, destacou José Maria Freitas.

O presidente da ANICP lembrou ainda que o setor tem uma tradição exportadora que representa, anualmente, cerca de 250 milhões de euros de faturação.

Apenas 30% do total da produção de conservas fica no mercado nacional.

No caso de atum vendido em Portugal, quase 70% da produção é feita através de produtos importados.

“Por detrás das siglas e das insígnias o consumidor não percebe que está a consumir produtos que dependem da importação”, lamentou o responsável.

Para promover e valorizar o consumo de conservas nacionais, a associação está a preparar uma iniciativa, em vigor a partir de junho, através dos canais de televisão e de outros meios, como as redes sociais.

Trata-se “de uma grande campanha mediática que vai ser importante para a valorização e promoção das conservas nacionais, tentando assim alterar o paradigma de consumo”, avançou, à Lusa, José Maria Freitas.

Portugal entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

/ Publicada por ALM