Portugal consagrou no ano passado 1,35% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas em Defesa, ainda longe do objetivo de 2% até 2024 acordado entre os membros da NATO, segundo o relatório anual hoje divulgado pela Aliança Atlântica.

Os dados atualizados hoje divulgados em Bruxelas, que ainda só são estimativas, revelam que, ainda assim, em termos proporcionais (relativamente à riqueza do país, medido pelo PIB) Portugal gastou mais em Defesa do que 12 outros Aliados, entre os 29 membros da organização transatlântica.

Portugal surge no 16º posto da lista – naturalmente encabeçada pelos Estados Unidos (3,39%) -, à frente da Alemanha (1,23%) e de países como Espanha, Bélgica (ambos com 0,93%) e Luxemburgo (0,54%), que ocupam os três últimos lugares.

De acordo com as estimativas da NATO, em termos brutos, no ano passado Portugal gastou 2.728 milhões de euros, contra 2.398 milhões em 2017 (o que representava 1,24% do PIB).

Por ocasião da cimeira da Aliança Atlântica celebrada em Bruxelas em julho do ano passado, o primeiro-ministro, António Costa, apresentou “um quadro anualizado” que especifica que Portugal tenciona consagrar 1,66% do PIB a despesas em Defesa até 2024, ficando assim aquém do objetivo de 2% acordado entre os países membros da NATO. O objetivo traçado para 2019 é de 1,41% da riqueza nacional.

Sustentando que se trata de “um quadro de evolução gradual, sustentado, e compatível com as diferentes necessidades orçamentais do país nos mais diversos domínios”, António Costa explicou que Portugal se comprometia a consagrar 1,66% do PIB a despesas em Defesa, mas ressalvou que o investimento pode atingir os 1,98% do PIB se o país conseguir obter os fundos comunitários a que se irá candidatar no âmbito do próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para o período 2021-2027, nomeadamente através do Horizonte Europa e do Fundo Europeu de Defesa.

Desde que foi eleito Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump queixa-se de que Washington gasta demasiados recursos com a Aliança Atlântica e tem exortado insistentemente os restantes Aliados a aumentar as respetivas contribuições financeiras.

Hoje, na apresentação do relatório anual, o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, congratulou-se por todos os Aliados terem invertido a política de cortes orçamentais na área da Defesa e de terem começado a aumentar os seus contributos, ainda que, em média, os 29 membros da NATO tenham consagrado 1,51% dos seus PIB a despesas militares, longe do objetivo traçado em Gales e reclamado por Washington.