Lembra-se de Swissleaks, Panama Papers, Malta Files e Paradise Papers? Foram quatro casos que puseram a nu, nos últimos três anos, esquemas de ocultação de milhões de euros em offshores. Com nomes portugueses na lista. Sabe-se agora que o Fisco está a investigar 256 contribuintes nacionais.

O balanço da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) foi reportado ao Jornal Económico pelo Ministério das Finanças. Dos nomes de mais de 1.350 portugueses que constaram nesses casos, foram identificados 343, mas as investigações em curso versam sobre menos, 256 no total. 

No início deste mês, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), acusou o Fisco "até receber informações sobre casos suspeitos, mas não investiga, pois dentro de casa não são trabalhadas". Ao mesmo semanário, Paulo Ralha insistiu que a informação relativamente a operações suspeitas “pura e simplesmente não [é] investigada”.

A tutela desmente: “A AT, no âmbito das suas competências, procede à análise de toda a informação que lhe chega de diversas fontes” e que "sempre efetuou o seu tratamento, aplicando modelos de análise de risco, tendo em vista a segmentação dos contribuintes e a identificação para cada segmento das estratégias de atuação mais adequadas”.

Em julho passado, foi noticiado que só em 2017 foram transferidos pelo menos 10,6 mil milhões de euros para paraísos fiscais. Nessa altura, a AT abriu 122 processos, admitindo ao mesmo tempo que o valor poderia subir ainda mais com correções feitas pelos bancos.