Num momento de profunda interrogação em relação ao presente e ao futuro, José Alberto Carvalho conduziu uma conversa alargada com Pedro Santos Guerreiro, António Saraiva, Sara do Ó e Vítor Bento sobre as dificuldades das empresas em tempo de pandemia. 

António Saraiva, presidente  da Confederação Empresarial de Portugal, afirma que as empresas estão a enfrentar esta situação com enorme preocupação, “mas também com enorme resiliência”.

Estamos a reagir a uma situação que é completamente disruptiva e aquilo que estamos a tentar encontrar é a coligação de esforços e a partilha de soluções. 

Já a consultora Sara do Ó diz que o tecido empresarial de Portugal está a viver um cenário de ansiedade imensa, de angústia e de uma luta interior pela escolha de uma melhor decisão e de um melhor caminho que permita um alinhamento entre os interesses da entidade empregadora e dos colaboradores. 

Sara do Ó diz que recebe várias perguntas como: “Eu vou fechar hoje, opto pelo despedimento coletivo enquanto tenho essa possibilidade, opto pelo lay-off ?” e explica que é necessária clarificação para responder, em primeiro lugar, à manutenção dos postos de trabalho e, em segundo lugar, à sustentabilidade e liquidez das empresas, para que os compromissos sejam cumpridos.

 

Sobre esta clarificação, o jornalista Pedro Santos Guerreiro diz que o Governo está a criar medidas para um período de transição, “mas essas medidas têm de chegar centralizadas, simplificadas e com formulários acessíveis a toda a gente. Senão, entramos em pânico e as decisões tornam-se precipitadas”.

Pedro Santos Guerreiro afirma que, embora as grandes empresas estejam muito preocupadas, estas têm uma rede interna de financeiros, de advogados que têm meios para preparar melhor as estratégias face ao surto.

Depois temos as micro e pequenas empresas que estão cheias de dúvidas, porque todos os dias são anunciadas novas medidas e muitas dessas medidas não são rapidamente regulamentadas”, afirma, sublinhando que muitas empresas encontram-se num dilema: “Se eu despedir estou a contribuir para o agravar da situação económica, mas se não despedir vou eu ter de investir dinheiro meu nesta situação”.

 

O economista Vítor Bento admite que o grande problema que as empresas enfrentam é o verdadeiro efeito que o tempo poderá ter. “ Se isto for uma coisa de pouca duração - dois meses, digamos - a recuperação pode ser relativamente rápida porque haverá pouca destruição da capacidade produtiva”, afirma.

Vítor Bento reitera que esta crise não tem precedentes devido à sua natureza. “As crises normalmente ocorrem porque há uma quebra na procura ou uma perda de competitividade por parte das empresas. Aqui, as pessoas não estão a comprar porque não se querem aproximar”, justifica.

O economista afirma ainda que começa a haver disrupção das cadeias de valor “devido às baixas que ocorrem por força da doença e da diminuição da disponibilidade de trabalho, juntando-se aos dois choques - o da procura e da oferta”.

 
   
/ HCL