O plano para recuperar a Caixa Geral de Depósitos e para que o banco do Estado consiga regressar aos lucros assenta sobretudo no corte de custos. Para além dos gastos em fornecedores e em pessoal, o banco público vai reduzir os juros dos depósitos e cobrar mais pelos empréstimos.

Segundo o Jornal de Negócios, quem tem poupanças no banco do Estado vai ver o rendimento cair de 0,6% para 0,2%. Quem precisar de crédito, vai pagar mais. No conjunto, as duas medidas devem render mais de 400 milhões de euros até 2020.

O novo plano de negócios da instituição prevê ainda o fecho de 180 agências em quatro anos e a saída de cerca de 2.200 trabalhadores, sobretudo através de pré-reformas.

Depois, vão aumentar as comissões a pagar pela seguradora Fidelidade: quanto mais seguros forem vendidos aos balcões, mais a companhia terá de pagar. A atualização das comissões vai aplicar-se também a alguns serviços prestados aos clientes do banco.

Reduzir a presença no exterior é outra necessidade. Está, por isso, prevista a alienação das operações em Espanha, África do Sul e Brasil, bem como encerramento dos escritórios de Londres e Nova Iorque.

Para grandes males, medidas drásticas, já que este ano, as perdas associadas ao crédito malparado chegam a 3.000 milhões.

A redução de custos operacionais deverá chegar a 150 milhões de euros até 2020. A meta é ter o banco do Estado a dar lucros na ordem de 670 milhões em 2020: 120 milhões virão das operações no exterior que, nessa altura, deverão estar reduzidas a Macau, Angola e Moçambique.

Bruxelas espera indicações do Governo e administração

Bruxelas voltou entretanto a pronunciar-se sobre o dossiê Caixa Geral de Depósitos. A comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager, disse estar em "contacto normal" com o Governo e a acompanhar as evoluções no banco público, estando à espera das indicações do Executivo e da administração da CGD.

“Estamos em contacto normal com o Governo português para que este e a nova administração da CGD digam como o caso vai seguir. Esperamos que, depois da injeção de capital, o banco possa seguir em frente”.

O banco público está a atravessar uma fase de transição e polémica. Ainda ontem o Tribunal de Contas divulgou um relatório a acusar as Finanças de "falta de controlo" na CGD entre 2013 e 2015.

Depois, a administração em funções, nomeada pelo Governo de António Costa, só aguentou três meses. António Domingues demitiu-se da liderança - mas fica até ao final de dezembro - e está a passar a pasta a Paulo Macedo, que já admitiu estar a trabalhar num processo que é "complexo".

Há o plano de reestruturação para pôr em marcha, bem como a capitalização, que foi adiada para 2017.

Redação / VC - Atualizada às 11:20