Em entrevista no Jornal das 8, desta segunda-feira, António Costa analisou o impacto que a pandemia pode ter na economia e na carteira dos portugueses. Desde logo, o primeiro-ministro alerta que a perda de um terço do salário pelos trabalhadores "é dramático" para algumas famílias, em alusão ao facto de os pais que ficam em casa com os filhos durante este período só receberem 66% do vencimento.

Perder um terço do salário é dramático para a maioria dos portugueses", lamentou o primeiro-ministro.

Sobre a questão do lay-off massivo nas empresas anunciou que esta medida tem um impacto de mil milhões de euros por mês, mas por outro lado voltou a referenciar as mediadas de apoio às empresas e famílias.

Adiámos para o segundo semestre o pagamento de IVA, IRS e IRC", relembrou António Costa em entrevista à TVI.

No que toca à crise económica que deve afetar o país nos próximos meses, ou anos, António Costa garantiu que o Estado está a usar a folga orçamental que tinha "para relançar a economia em junho". Junho é assim o mês que o primeiro-ministro aponta para o alívio de todo o país, visto que nessa atura "os dados disponíveis serão mais sólidos".

 

Não podemos dar dinheiro, porque não é meu é do Estado", alertou António Costa.

No que diz respeito ao apoio ao setor empresarial, o primeiro-ministro diz que o Governo está pronto para ajduar, mas através da concessão de crédito às empresas. Não foram avançadas ainda medidas concretas, mas haverá "milahres de milhões de euros" para ajudar a alavancar a economia.

Planos da União Europeia

O primeiro-ministro espera que a União Europeia adote a curto prazo um grande plano para a mobilização e reconstrução das economias dos Estados-membros, para combater a crise provocada pela pandemia de COVID-19. António Costa acredita na possibilidade de a União Europeia poder aceitar agora mecanismos de mutualização da dívida.

Costa pontou avanços positivos quando a União Europeia anunciou 37 mil milhões de euros para reprogramação de dinheiro já alocado, a Comissão Europeia flexibilizou o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e o Banco Central Europeu decidiu injetar mais 750 mil milhões de euros para a aquisição de dívida pública.

Tenho a certeza que vai ser muito duro o debate no Conselho Europeu da próxima quinta-feira. Temos de ter um grande plano, chamem-lhe Marshall ou von der Layen, o nome como quiserem. A Europa tem de ter um grande projeto de mobilização e de reconstrução económica depois desta pandemia", disse António Costa em entrevista no Jornal das 8.

João Guilherme Ferreira / ATUALIZADO 22:55