A presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, traçou esta quinta-feira o atual cenário, perante os vários pedidos de ajuda de famílias que sofrem as consequências da crise provocada pela covid-19.

Segundo a responsável, este é um momento "muito desafiante", o pior que já viveu na instituição: "Estou há 27 anos no Banco Alimentar e nunca vi nada assim".

Perante isto, foi lançada a Rede de Emergência Alimentar, que vai registar todos os pedidos de ajuda, de forma a gerir melhor a resposta, em coordenação com as mais variadas autarquias.

Quando questionada sobre uma comparação com a crise ocorrida em 2008, Isabel Jonet reconhece uma situação semelhante, ainda que desta vez seja mais grave em termos de números de pedidos de ajuda.

Não tem qualquer comparação, embora a gravidade seja idêntica. Temos muitas pessoas que ficaram em pobreza e que eram estranhas a esta situação. Mas também sem poderem ter alguma esperança de que a situação vá mudar", explicou, em entrevista à TVI.

Sobre a estratificação dos pedidos de ajuda, a presidente do Banco Alimentar afirma que a grande pressão deriva do confinamento, bem como do encerramento das escolas, com famílias sem capacidade para ter computador ou acesso à Internet.

Estamos a falar de famílias que não tinham apoios sociais e que, de um momento para o outro, ficaram sem possibilidade de trabalhar. Estamos a falar de famílias que tinham a vida desorganizada", acrescentou, lembrando as pessoas que já eram apoiadas antes da crise.

Isabel Jonet avançou ainda que existem atualmente 450 mil pessoas a necessitar de ajuda em Portugal, número que antes era de 380 mil.

António Guimarães