O Fórum para a Competitividade considera que o Governo confessa implicitamente no Programa de Estabilidade 2021-2025 que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “não servirá para praticamente nenhuma melhoria” no potencial de crescimento da economia portuguesa.

Comparando as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) inscritas no Programa de Estabilidade 2021-2025 com as constantes dos programas de estabilidade apresentados em abril de 2018 e abril de 2019, o Fórum constata que estes últimos “terminam ambos em 2,1%”, sendo o novo valor apresentado este ano pelo Governo “de 2,2%, apenas uma décima acima daqueles”.

Daqui podem-se extrair duas conclusões”, sustenta: “O próprio Governo considera que o PRR não vai ter qualquer impacto visível no potencial de crescimento da economia portuguesa, uma clara confissão antecipada de fracasso”, e “persiste a falta de ambição”, já que o país precisa “de crescer a 3%”.

Também criticado pelo Fórum é o “foco no curto prazo” da estratégia do Governo, “uma vez que só aí é que a evolução da economia depende da procura, já que no médio e longo prazo, o que é importante é a oferta”.

O Programa de Estabilidade também ajuda a perceber alguns dos erros estratégicos do PRR. Se, na perspetiva – errada – do Governo, basta estimular a procura para expandir o PIB, então tanto faz que a procura seja pública ou privada, como tanto faz que a procura tenha qualidade ou não”, lê-se na nota de conjuntura do abril do Fórum para a Competitividade.

Para o organismo, “isto ajuda a explicar o enfoque brutal na despesa pública” existente no PRR, assim como “a falta de foco na promoção do investimento produtivo, a desvalorização do capital humano e da produtividade, ignorando, assim, as componentes da oferta que era essencial desenvolver”.

Prevendo-se uma redução da taxa de desemprego para níveis inclusive abaixo da chamada taxa natural de desemprego (no caso português, entre 6% e 7%), é evidente que haverá uma competição pelo emprego e recursos em geral entre setor público e privado (‘crowding out’)”, prevê.

Conforme alerta, “os trabalhadores que engrossarem as fileiras do emprego público deixarão de estar disponíveis para o setor privado, que voltará a ter dificuldade em conseguir pessoal especializado, como já acontecia antes da pandemia”.

Neste contexto, o Fórum para a Competitividade considera que “quer o PRR, quer o Programa de Estabilidade 2021-2025 são programas de curto prazo, de mera gestão da conjuntura, sem uma verdadeira visão de desenvolvimento”, o que fará do PRR “uma ‘bazuca’ europeia desperdiçada”.

O Fórum para a Competitividade é uma associação que reúne empresas e sócios individuais e que se apresenta como “uma instituição ativa na promoção do aumento da competitividade de Portugal, através de estímulos ao desenvolvimento da produtividade nas empresas”.

/ HCL