O Governo aumentou esta quinta-feira a lista de concelhos considerados de alto risco de transmissão de covid-19, passando para 191 as autarquias abrangidas pelas medidas do estado de emergência que vigora pelo menos até 23 de novembro, sendo que o primeiro-ministro já admitiu que a situação pode ser prorrogada.

Entre as medidas aplicadas está o recolher obrigatório a partir das 13:00 aos fins de semana e a partir das 23:00 durante a semana, o que já fez com que o setor da restauração viesse para as ruas expor a situação insustentável, afirmando que vão ocorrer muitos despedimentos sem que sejam aprovados novos apoios.

Veja a lista dos concelhos considerados de alto risco

Também esta quinta-feira, o Conselho de Ministros aprovou um apoio de 20% da perda de receitas dos restaurantes nos dois fins de semana seguintes face à média dos 44 fins de semana anteriores (de janeiro a outubro 2020), período no qual muitos destes estabelecimentos fecharam.

Um dos primeiros funcionários do setor da restauração a alertar para a insustentabilidade da situação foi o chef Rui Paula, dono de vários restaurantes no Norte do país.

O cozinheiro esteve esta quinta-feira na TVI24, onde afirmou que o pacote de apoios aprovado pelo Governo é "uma ajuda pequena, para não dizer uma migalha".

O empresário já avisou inclusivamente que terá de despedir muitos funcionários caso o cenário não mude até janeiro.

O problema na restauração é gravíssimo, e é bom que o primeiro-ministro entenda isto", disse, pedindo um plano estruturado por parte do Governo.

Rui Paula afirma que, no seu caso, o que o preocupa mais são as centenas de funcionários que emprega.

Quero ver o que o Governo vai fazer com as pessoas nos fundos de desemprego", acrescentou, relembrando que as empresas que usufruíram do lay-off podem despedir a partir de janeiro.

O chef afirma que o esforço deve ser feito a partir de um conjunto de entidades, não só o Governo, mas também os senhorios, pedindo novamente um planeamento estruturado para recuperar a economia no setor.

Entre as medidas restritivas, e depois de uma clarificação de António Costa, é o encerramento de superfícies comerciais como supermercados ou hipermercados que tenham mais de 200 metros quadrados ou que não tenham uma frente de loja virada para a rua.

Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, entende que "qualquer limitação de horário não é benéfica para a saúde pública", porque vai levar a uma maior concentração de pessoas.

A limitarem-se os horários é preciso rever o número de pessoas dentro das lojas", referiu, defendendo um alargamento do número de pessoas permitidas atualmente.

Questionado sobre os esclarecimentos dados pelo Governo, o representante afirma que os supermercados e hipermercados passaram toda a semana a preparar as próximas duas semanas, referindo que a associação recebeu com surpresa aquilo que considerou ser um recuo do executivo.

Os nosso associados já tinham ecomendas feitas e é preciso fazer um ajuste", apontou.

Outro tipo de estabelecimentos afetados são os centros comerciais. António Sampaio de Mattos, presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais, começou por referir que as medidas tomadas não foram uma surpresa.

Para o representante, as palavras de António Costa clarificaram as medidas, acrescentando que poderá ser possível que as lojas em grandes espaços comerciais funcionem até às 13:00 aos fins de semana.

Para António Sampaio de Mattos, a diminuição do horário de funcionamento vai, de forma inevitável, provocar uma maior concentração de pessoas nos espaços.

Quanto a medidas em concreto, o representante afirma que é um exagero a medida relativa ao número de pessoas por cada 100 metros quadrados, que atualmente é de cinco.

Há países na Europa onde esse número é cinco vezes superior", adiantou.

O presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais concluiu dizendo que as medidas mais restritivas podem afetar a economia e prejudicar a saúde pública.

O comentador da TVI24, Pedro Santos Guerreiro, afirmou que existiu alguma dificuldade no planeamento da segunda vaga, relembrando que, quando foi anunciado o "confinamento suave a economia tinha prevalecido pela saúde e que hoje estamos a fazer uma inversão".

O problema está à vista e é gravíssimo na saúde", apontou.

Quanto à economia, o fraco desempenho do último trimestre vai baralhar todas as previsões económicas, incluindo as do Orçamento do Estado para 2021.

Sobre a restauração, Pedro Santos Guerreiro afirma que o problema não passa pelos próximos dois fins de semana.

O problema são os últimos 40 e os próximos 10 ou 15", referiu.

António Guimarães