Tem tudo para ser uma combinação fatal no que toca ao mercado de trabalho. A recessão provocada pelo novo coronavírus está a acelerar as inovações tecnológicas. Devido à substituição de pessoas por máquinas, cerca de 85 milhões de empregos podem estar em causa, nos próximos cinco anos.

A automatização, em conjunto com a recessão da covid-19, está a criar um cenário de 'dupla interrupção' para os trabalhadores", aponta o relatório publicado quarta-feira pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, sigla em inglês), que adverte que as desigualdades devem aumentar, a menos que os trabalhadores deslocados possam voltar a ter formação para entrar em novas funções.

Devido à integração da tecnologia, mais de dois quintos das empresas interrogadas pelo WEF, planeiam reduzir a sua fora de trabalho.

Pela primeira vez nos últimos anos, a criação de emprego está a começar a ficar para trás quando comparada com a destruição de postos de trabalho”, disse o Fórum no seu relatório, citado pela CNN.

 

À medida que os números do desemprego aumentam, é cada vez mais urgente expandir a proteção social, incluindo o apoio à reciclagem de trabalhadores deslocados e em risco, enquanto as empresas navegam por outros caminhos, em direção aos empregos de amanhã”, alertou ainda.

O Fórum alerta ainda para a política dos baixos salários. Dizem os especialistas que, por exemplo, nas áreas de hotelaria e turismo - uma das mais afetadas pela pandemia e onde a robotização será menos utilizada, os trabalhadores mais séniores tendem a ser substituídos por funcionários mais jovens e a ganhar menos.

Lara Ferin