A UGT avisou esta terça-feira que irá lutar pelo alargamento dos prazos de acesso às moratórias dos créditos à habitação, considerando o apoio determinante para trabalhadores que viram os rendimentos do trabalho reduzidos, como consequência da crise pandémica.

Apesar de o regime de alargamento dos prazos das moratórias públicas ter sido alargado até ao final de setembro de 2021, a verdade é que algumas moratórias privadas, que implicam a negociação direta com a banca, já venceram ou estão prestes a vencer e muitas famílias começam a ser chamadas a pagar as respetivas prestações, sem que para isso tenham condições por terem visto os seus rendimentos reduzidos”, refere em comunicado.

Para a UGT, continua a ser “inadmissível” a desigualdade de tratamento dada pelo Governo na questão das moratórias, quando se trata das empresas.

Se para as empresas há prolongamento, redução, isenção das moratórias de capital e juros, porque é que o executivo não age de igual forma com os trabalhadores? Se as empresas são afetadas por problemas de tesouraria, claramente milhares de trabalhadores, ao não terem rendimentos incorrem no risco de perder a sua habitação própria permanente”, questiona a UGT.

Assim, continua, a UGT continuará a pugnar para que, tal como referiram numa carta enviada ao ministro de Estado e da Economia, seja equacionada a possibilidade do alargamento das moratórias dos créditos à habitação para os trabalhadores, “precavendo um potencial colapso social nas vidas de milhares de famílias”.

Mantemos e manteremos a disponibilidade para a negociação e o diálogo sobre esta matéria, de forma a encontrar soluções que permitam uma maior justiça social”, refere.

A UGT alerta ainda que os portugueses que queiram aderir às moratórias bancárias poderão fazê-lo até 31 de março de 2021, beneficiando dos seus efeitos por um período de até nove meses, com a aplicação das regras previstas no atual regime.

Os deputados da Comissão de Orçamento e Finanças aprovaram em 10 de março, por unanimidade, o requerimento do Bloco de Esquerda para uma audição urgente do governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, sobre as moratórias bancárias.

No requerimento a solicitar a presença do governador do BdP na Comissão de Orçamento e Finanças (COF), o Bloco de Esquerda aponta o conjunto das moratórias em vigor (públicas e privadas) como “provavelmente o maior balão de oxigénio” das empresas e famílias perante a crise económica, tendo em conta “os insuficientes e tardios apoios do Estado”.

Com esta audição, o BE pretende discutir os diferentes aspetos das moratórias, mas, em particular, "garantir a proteção de todas as pessoas para quem a moratória termina em março”.

/ MJC