A recuperação das carruagens Schindler para a Linha do Douro foi atrasada três meses devido à pandemia, devendo estar concluída até ao final do ano, o que permitirá libertar automotoras para outras linhas, disse hoje o presidente da CP.

A bordo de uma das oito carruagens que atualmente fazem a ligação entre o Porto e o Pocinho, o presidente da CP - Comboios de Portugal, Nuno Freitas, revelou que a recuperação destas carruagens sofreu um atraso de três meses devido à pandemia de Covid-19, bem como a problemas técnicos, nomeadamente a identificação e necessária remoção de amianto em algumas zonas.

Por este motivo, o prazo inicial, de ter as 19 carruagens Schindler operacionais em setembro, não vai ser cumprido, apontando-se o final do ano como a data previsível para que a totalidade destas composições estarem operacionais.

"A utilização destas carruagens para a CP era importante para poder normalizar o serviço regional. Utilizando este material no Douro vai-nos permitir libertar automotoras para pôr na linha do Oeste, normalizar o Oeste, e depois do Oeste libertar automotoras para o Alentejo e para o Algarve para normalizar também estas regiões", explicou.

"Isto são carruagens que fizeram sempre parte da paisagem do Douro, neste momento temos oito a circular, em meados de julho vamos ter 11 que é o suficiente para iniciarmos", salientou, acrescentado que este plano vai permitir adaptar a oferta à procura e evitar aglomerações como as que se verificaram no passado.

Na viagem, o presidente da CP, que se fazia acompanhar pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Jorge Delgado, e pelo presidente do Turismo do Porto e Norte, Luís Pedro Martins, fez ainda um balanço do plano de recuperação do material circulante imobilizado, com o objetivo de normalizar as operações nos comboios de longo curso, nos regionais e nos comboios urbanos.

No que respeita ao regional, como explicou anteriormente, a recuperação das carruagens Schindler está já em marcha, assim como em outras regiões do país.

No caso de Sintra, adiantou Nuno Freitas, estão a ser trabalhadas duas áreas: o aumento da eficiência da manutenção e o reforço do material circulante.

"Para Sintra e Azambuja tínhamos, no nosso plano, a recuperação de oito unidades até dezembro, contudo, embora ainda esteja nesse plano a recuperação das unidades até dezembro, pode haver algum atraso na entrega da totalidade", disse.

"Vamos ter a inauguração da eletrificação da linha do Minho no final deste ano, início do próximo, não fazia sentido nenhum a CP, o Estado português estar a investir na eletrificação da Linha do Minho e depois nós, fazermos a linha com comboio diesel", afirmou, acrescentando que, neste momento estão já recuperadas cinco locomotivas, num total de sete até ao final do ano.

Nuno Freitas destaca ainda a recuperação de material histórico, nomeadamente o trabalho feito na recuperação de três carruagens, uma delas que "já fez serviço na Linha do Vouga".

Aos jornalistas, o ministro das Infraestruturas sublinhou a importância da ferrovia para o país, que durante anos foi votada ao abandono.

"O passado era de recuo na ferrovia. Foram décadas e décadas em que o país andou a desinvestir naquilo que é hoje reconhecidamente por todo o meio de transporte do futuro. Em Portugal infelizmente estávamos a fazer o contrário: a fechar linhas, a desinvestir, a encostar material circulante em condições de ser utilizado, a deixar de contratar pessoas para a CP e para a IP", disse Pedro Nuno Santos.

E acrescentou: "finalmente estamos noutro caminho".

Para o governante, não deixa de ser caricato que um país como Portugal, que não é propriamente rico, tivesse dezenas de unidades encostadas pelo país, quando há carência de material circulante.

"O que nos pareceu óbvio desde o início era recuperar o material que estava encostado e pô-lo ao serviço das populações o mais depressa possível", concluiu.

/ Publicada por ALM