Os novos créditos à habitação estão a cair há três meses consecutivos, o que está relacionado com as novas regras do Banco de Portugal, em vigor desde julho. Regras que criaram restrições à concessão de novos empréstimos para esse fim e para o de consumo. Entre outras exigências, as famílias apenas podem gastar metade do seu rendimento com empréstimos bancários.

Os dados mais atualizados do BdP, divulgados esta terça-feira, revelam que foram concedidos 790 milhões de euros pelos bancos às famílias para empréstimos à habitação, menos do que os 810 milhões de euros de agosto - mês no qual já tinham recuado em termos mensais. Ainda assim, mais do que os 739 milhões de euros concedidos em setembro de 2017.

Apesar de essas regras não serem de cumprimento obrigatório, os bancos que não as cumprirem têm de explicar ao supervisor porque não o fizeram. Para além de que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, avisou em maio, no parlamento, que se os bancos não respeitarem o que está previsto, poderão passar de recomendações a ordens vinculativas.

Desde o início do ano foram já emprestados 7,293 mil milhões de euros em novos créditos à habitação, valor que compara com os 5,951 mil milhões de euros concedidos no ano passado entre janeiro e setembro.

Taxas de juro

Em setembro deste ano, de acordo com a informação divulgada pelo BdP, a taxa de juro média dos novos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras manteve-se inalterada face a agosto em 2,36%.

Nas operações acima de um milhão de euros, a taxa de juro diminuiu 18 pontos base, para 1,66% e nas operações abaixo de um milhão de euros, a taxa de juro diminuiu um ponto base, para 2,74%.

O aumento do peso das operações abaixo de um milhão de euros explica a manutenção da taxa de juro média.

Nas novas operações de crédito a particulares para habitação, a taxa de juro média manteve-se em 1,36%, enquanto no crédito ao consumo e para outros fins, as taxas de juro médias foram, respetivamente, de 7,19% e 3,84% (7,04% e 4,07% em agosto).

Depósitos

Quanto aos depósitos de particulares nos bancos residentes, estes totalizavam 141,9 mil milhões de euros no final de setembro de 2018, refletindo uma taxa de variação anual de 2,7% e uma diminuição de 0,1 pontos percentuais face a agosto.

Na área do euro, a taxa de variação dos depósitos de particulares foi de 3,9% em setembro, tendo-se mantido inalterada desde julho de 2018.