O número de famílias sobre-endividadas está a aumentar. desde março e até 30 de setembro chegaram à associação de defesa dos consumidores mais de 14 mil pedidos de ajuda. e já há quem gaste 80 por cento do salário a pagar créditos mensais.

É mais uma medida da crise. o número de famílias que não consegue cumprir com os créditos que contratou não para de subir.

Só à Deco chegaram quase 14 mil e 500 pedido de ajuda entre 18 de março e 30 setembro. Mas à medida que a pandemia se arrasta as preocupações destas famílias mudam.

A maioria teme agora vir a ser confrontada com a penhora dos seus rendimentos, porque muitas perderam total ou parcialmente o rendimento. Também há mais famílias preocupadas com a necessidade de reestruturem parte das suas responsabilidades”, disse à TVI a responsável do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado da Deco, Natália Nunes.

E se o agregado familiar típico que pedia ajuda à Associação era composto por pai, mãe e uma criança e tinha um nível de escolaridade baixo, nos últimos meses a perda de rendimentos e o desemprego deram espaço a outras realidades dramáticas 

Temos uma grande fatia com o ensino superior. São famílias que em termos de rendimentos têm cerca de 1.100 euros mensais”, afirma Natália Nunes. Um valor que já está a ser absorvido em larga percentagem pelas prestações mensais de crédito.

Um sinal vermelho muito acima do que dita a prudência na gestão do orçamento familiar: uma taxa de esforço de 35%.

“Famílias que têm em média 80% dos rendimentos absorvidos pelos créditos”, acrescenta.

Cartões de crédito, créditos pessoais para consumos variados, desde o carro às viagens e até para pagar a renda da casa, mas também créditos da casa que não beneficiaram das moratórias.

A Deco teme números piores nos próximos meses à medidas que as moratórias do crédito forem terminando.

Alda Martins