A economia sul-africana registou uma contracção de 1,8 por cento nos últimos quatro meses de 2008, a primeira quebra em mais de uma década, segundo as estatísticas divulgadas esta quarta-feira em Joanesburgo, refere a Lusa.

Estes dados levaram já os economistas a alertarem para a possibilidade de o país estar a entrar numa fase de recessão.

Entre Maio e Agosto do ano passado a economia tinha registado um modesto crescimento de 0,2%, levantando os primeiros sinais de alerta para os efeitos negativos na economia sul-africana da crise financeira global.

A economia sul-africana tem crescido em média 5% nos últimos 10 anos, mas a previsão de crescimento já revista de 3 por cento para 2009 viria a ser revista de novo para 1,2% no último orçamento de Estado elaborado pelo ministro das Finanças, Trevor Manuel.

Com as vendas de viaturas automóveis em queda livre há mais de 12 meses e o consumo de cimento e outras mercadorias essenciais também em queda, os economistas e analistas não têm dúvidas de que a África do Sul está a entrar numa fase difícil, apostando numa nova redução das taxas de juro para dinamizar a actividade económica.

O governador do Banco da Reserva, Tito Mboweni, anunciou em 5 de Fevereiro uma descida de 1 ponto percentual (para 10,5%) do juro-base, estando a ser pressionado por agentes económicos para proceder a nova descida de emergência, na casa dos 1,8 pontos.

A indústria automóvel, atingida por uma profunda crise, pediu entretanto ao governo um pacote de apoio ao sector no montante de 10 mil milhões de randes (800 milhões de euros) para garantir a sobrevivência de algumas empresas e postos de trabalho no sector.

Um porta-voz da Associação dos Construtores Automóveis alertou para a possibilidade de 22.500 postos de trabalho virem a ser eliminados nos próximos meses se o governo não intervir com urgência.