Os alemães «não vão reaver o dinheiro» acordado nos empréstimos à Grécia e a Portugal, afirma Philip Coggan, colunista financeiro do The Economist, numa mensagem publicada no portal on-line do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Numa entrevista divulgada esta sexta-feira pelo FMI, intitulada «Afogados na dívida», Philip Coggan diz que «os alemães e os europeus do norte têm duas opções», nomeadamente «enviar diretamente o dinheiro para a Grécia e para Portugal», ou emprestar o dinheiro a ambos os países, «o qual não vai ser devolvido».

«De uma forma ou de outra, isso não faz grande diferença: não vão reaver o dinheiro. E, no final, vai ser preciso que as populações se rendam a essa evidência nos países da Europa do Norte», concluiu Coggan.

Os montantes atribuídos à Grécia pelo FMI, mais de 30.000 milhões de euros até hoje, são os mais importantes da história da instituição.

De acordo com as projeções do Fundo, Atenas tem meios para reembolsar os seus credores públicos, incluindo a Alemanha, desde que reforme a economia e seja apoiada quando estas reformas tiverem resultados.

A 23 de fevereiro, o parlamento da Grécia aprovou, por maioria absoluta, a legislação necessária para o país proceder ao pagamento da dívida, o que implica o perdão de 107.000 milhões de euros de dívida por bancos e fundos de investimento privados.

No caso de Portugal, que está a receber apoios de Bruxelas e do FMI no valor total de 78.000 milhões de euros, o Fundo atribui 26.000 milhões a Lisboa.

Uma segunda tranche de 14.900 milhões foi recentemente aprovada pela troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), dos quais 5.200 milhões serão atribuídos pelo Fundo. A próxima revisão ao programa de ajustamento deverá ocorrer em maio.