Há bens e serviços dos quais não podemos prescindir. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) cerca de 60% das despesas das famílias portuguesas vão para habitação, transportes e alimentação.

Como não dá para fugir às tais despesas mensais de que também já falámos na Economia 24, o melhor é mesmo saber que preços o esperam quando entrar em 2020.

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Rendas

O coeficiente de atualização das rendas para o ano deverá ser de 1,0051, tendo em conta as estimativas da inflação dos últimos 12 meses, até agosto. Segundo os dados do INE, nesse período a variação média do Índice de Preços no Consumidor, excluindo a habitação, foi de 0,51%. Percentagem que serve de base ao cálculo do coeficiente, e que representará, neste caso, mais 0,51 euros por cada 100 euros de renda.

Este aumento surge depois dos acréscimos de 1,15% este ano, 1,12% em 2018, 0,54% em 2017 e 0,16% em 2016.

Eletricidade

As tarifas de eletricidade no mercado regulado vão descer 0,4% para os consumidores domésticos a partir de 1 de janeiro, de acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). De resto a percentagem anunciada não sofreu qualquer alteração face à que tinha sido proposta.

Esta redução, de 0,4%, representa uma diminuição de 18 cêntimos para uma fatura mensal de 43,9 euros, de acordo com as contas do regulador.

Nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira as descidas serão de 1,1% e 0,8%, respetivamente, considerando apenas a Média Tensão (MT).

Gás

A variação das tarifas para consumidores finais com um consumo anual inferior ou igual a 10.000 m3, a vigorarem desde de 1 de outubro até 30 de setembro de 2020, corresponde a um decréscimo de 2,2%.

Também as tarifas sociais de venda a clientes finais, que vigoram no mesmo período, integram um desconto de 31,2% sobre as primeiras tarifas. Contas feitas, no início do ano o preço do gás não vai variar.

Telecomunicações

As operadoras de telecomunicações Meo e Nos admitiram, segundo o Jornal de Negócios, aumentar os preços dos seus serviços em 2020.

No primeiro caso, a subida, com base no Índice de Preços no Consumidor, será, no mínimo, de 50 cêntimos.

A Nos irá atualizar alguns serviços em 1%, de acordo com o jornal. A Vodafone e a Nowo deverão manter os preços, segundo a mesma fonte.

Portagens

Os preços das portagens nas autoestradas vão manter-se em 2020, tendo em conta a taxa negativa de inflação homóloga (0,13%), sem habitação, de outubro, divulgada pelo INE, diz a Lusa.

Transportes

A Área Metropolitana do Porto (AMP) revelou que pretende manter inalterados os preços das assinaturas mensais Andante, em 2020, apesar da Taxa de Atualização Tarifária (TAT) de 0,38%.

A tabela tarifária do sistema intermodal está a ser ultimada tendo sido determinado pela AMP não haver alteração do preço dos passes de 30 e 40 euros”, disse fonte oficial à TVI24.

Também a Área Metropolitana de Lisboa (AML) decidiu que os valores dos passes Navegante se manterão iguais em 2020, apesar da TAT decretada pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes. Estes passes custam um máximo de 30 euros no caso do Navegante Municipal (que permite viajar dentro de um município), 40 euros no caso do Navegante Metropolitano (que permite viajar dentro da Área Metropolitana), 80 euros se for o Navegante Família (que permite aos membros da mesma família viajar pelo custo de dois passes metropolitanos), 20 euros para os utentes com mais de 65 anos e gratuito para crianças até ao fim dos 12 anos.

Segundo um comunicado da empresa enviado às redações “esta medida integra-se na estratégia de promoção da utilização dos transportes públicos coletivos, preconizada para a área metropolitana de Lisboa.”

A AML deixou, no entanto, uma nota aos operadores de serviço público que atuam no território que, “conforme determinado pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, podem aplicar a taxa, nos limites legalmente definidos, nas tarifas dos títulos de transporte ocasionais (bilhetes simples, de bordo, pré-comprados e unidades intermodais de transporte pré-pagas) e monomodais (tipo passe ou assinatura).” Teremos de esperar, caso a caso, para ver quais os aumentos.

Na sexta-feira, o Metropolitano de Lisboa informou que os bilhetes diários Carris/Metro/Transtejo e Carris/Metro/CP aumentam cinco cêntimos a partir de 01 de janeiro de 2020.

Já o bilhete Carris/Metro (válido em toda a rede da Carris e do Metro num número ilimitado de viagens durante 60 minutos, contado entre a primeira e a última validação de entrada) mantém o preço de 1,50 cêntimos.

A viagem de metro com o Zapping, título de transporte pré-pago que pode ser usado em vários operadores, e com o cartão bancário Caixa Viva terá um aumento de um cêntimo, passando a custar 1,34 euros.

O passe Carris/Metro/estacionamento passará a ter um custo de 54,60 euros, enquanto o passe Metro/Parque Alvalade XXI irá passar a custar 46,15 euros. Estes dois títulos são válidos por 30 dias.

Todos os restantes títulos válidos no Metro e os passes municipais e metropolitano irão manter os preços atuais.

Automóvel

Os veículos ligeiros a gasóleo ficarão sujeitos, em 2020, a um “agravamento de 500 euros no total do imposto a pagar”, de acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

Assim, segundo a proposta do Governo, “os veículos ligeiros, equipados com sistema de propulsão a gasóleo ficam sujeitos a um agravamento de 500 euros no total do montante do imposto a pagar, sendo esse valor reduzido para 250 euros” relativamente a alguns veículos ligeiros de mercadorias, “com exceção dos veículos que apresentarem nos respetivos certificados de conformidade ou, na sua inexistência, nas homologações técnicas, um valor de emissão de partículas inferior a 0,001 g/km”.

No caso do Imposto sobre Veículos (ISV) “as tabelas relativas à componente ambiental são adaptadas para incorporar a transição na homologação de consumos e emissões de adaptação”, sendo que a componente cilindrada é atualizada à taxa de 0,3%.

As taxas do Imposto Único de Circulação (IUC) serão atualizadas em 0,3% e as tabelas e regras de imposto adaptadas ao novo sistema de medição de CO2, revelou também a proposta de OE2020, citada pela Lusa.

Pão

O preço do pão poderá sofrer aumentos no próximo ano, resta saber de quanto e em que produtos.

Como preço e peso do pão são livres no mercado, a secretária-geral da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP), Graça Calisto, está inibida de dar estimativas, mas à TVI24 não escondeu que pode haver aumentos.

No meu entender, com o aumento do salário mínimo nacional e dos custos inerentes e com a crise que se antevê, se eu tivesse uma unidade corrigiria os preços [em alta]”. assegurou a responsável.

Atualmente, uma “carcaça” tem um valor entre 10 e 16 cêntimos (para um pão de 40 gramas), valores que variam consoante as regiões e o peso.

Deixe qualquer dúvida em economia24@tvi.pt.

Alda Martins / (Atualizada a 30-12-2019 12:53)