O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu esta quarta-feira em baixa de 0,1 pontos percentuais, a taxa de desemprego de fevereiro, situando-a nos 6,4%, menos 0,4 pontos percentuais face ao mês anterior.

Comparando com o mês precedente, a população desempregada diminuiu 20,4 mil pessoas (5,8%) e a população empregada diminuiu 18,4 mil pessoas (0,4%).

Em comparação com o mesmo mês de 2019, a população empregada diminuiu 0,2% (8,9 mil), o que representa uma revisão em baixa de 0,2% (7,6 mil) da estimativa provisória publicada há um mês.

A taxa de desemprego entre os jovens de fevereiro fixou-se nos 18,9%, contra os 19,5% registados em janeiro.

A informação deste destaque é já parcialmente influenciada pela situação atual determinada pela pandemia Covid-19”, refere o INE.

Ao contrário do que é habitual, não foi divulgada uma estimativa provisória para o mês de março devido às restrições causadas pela pandemia da Covid-19.

Segundo o INE, desde meados de março que têm vindo a ser adotadas medidas de salvaguarda da saúde pública relativas à pandemia Covid-19 que afetaram a forma como são realizadas as entrevistas do Inquérito ao Emprego, as estimativas mensais de emprego e desemprego do trimestre centrado em fevereiro de 2020 e o normal funcionamento do mercado de trabalho.

Em particular, salienta-se a declaração do estado de emergência, que ditou o encerramento temporário de várias empresas e restrições à livre circulação de pessoas, acompanhado pelo fecho das escolas, que levou a que muitos pais tivessem de ficar em casa (ainda que não podendo trabalhar em regime de teletrabalho) para cuidar dos seus filhos.

Em simultâneo, foram tomadas medidas de proteção do emprego dos trabalhadores, como, por exemplo, o ‘lay-off’ simplificado.

Ainda que estas medidas se tenham iniciado apenas nas últimas semanas do mês de março, alguns resultados apresentados neste destaque podem já ter sido afetados”, sinaliza o INE.

Pessoas anteriormente classificadas como empregadas podem agora não cumprir os critérios da Organização Internacional do Trabalho (OIT), operacionalizados de forma harmonizada na União Europeia em conjunto com o Eurostat, necessários para pertencer a este grupo (vide conceito de empregado na nota técnica), sendo por isso consideradas não empregadas.

É o caso das pessoas ausentes do trabalho por motivo de redução da atividade económica ou ‘lay-off’ por uma duração prevista superior a três meses e que auferem um salário inferior a 50% do habitual.

De igual modo, pessoas anteriormente classificadas como desempregadas podem agora ser classificada como inativas, devido às restrições à mobilidade, à redução ou mesmo interrupção dos canais normais de informação sobre ofertas de trabalho em consequência do encerramento parcial ou mesmo total de uma proporção muito significativa de empresas, razões pelas quais não fizeram uma procura ativa de emprego (condição essencial para a sua classificação enquanto desempregadas.

Assim sendo, sinaliza, a diminuição da população empregada e da população desempregada observadas no trimestre centrado em fevereiro de 2020 podem ser parcialmente explicadas por este contexto e refletiram-se na diminuição da população ativa e no aumento (quase) equivalente da população inativa.

/ Publicado por Henrique Magalhães Claudino