António Costa vinha preparado para descrever, novamente, o rol das conquistas macro económica do seu Governo mas a primeira hora do debate quinzenal resvalou para a troca de “galhardetes” com o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

Se dúvidas houvesse, Costa voltou a afirmar no Parlamento que o défice de 2016 ficará abaixo dos 2,1%: "não superior a 2,1%". Uma redução que o ministro das Finanças, Mário Centeno, já tinha avançado há cerca de 15 dias. Do PSD, "contra atacou" Passos Coelho, a respeito da “visão idílica” do Governo sobre a economia portuguesa.

O primeiro-ministro abriu o debate quinzenal com os números da recuperação económica e falou do crescimento da economia de 2% no último trimestre de 2016, em relação ao período homólogo, acima da média da zona euro e do conjunto da União Europeia. Acrescentando a redução da taxa de desemprego, para 10,2%; o aumento da taxa de confiança dos consumidores, para um máximo desde 2000; e a recuperação do investimento - mais 4,6% no último trimestre do ano passado.

Sobre o emprego o chefe de Governo disse ainda que foram criados 118 mil postos de trabalho em 2016.

Costa acrescentou também os dados das exportações, mais 4,4% em 2016 e o aumento do excedente da balança de bens e serviços.

Não nos contentamos em demonstrar que, afinal, havia mesmo alternativa à austeridade da anterior maioria e que era aritmética e politicamente possível cumprir todos os nossos compromissos", atacou o líder do Governo.

No contra ataque, o presidente do PSD disse não partilhar "a satisfação que o Governo exibe quando os resultados ficam aquém"

Passos voltou aos números para dizer que a economia cresce menos do que era esperado e lembrar que o que está a acontecer é uma manutenção do rating pelas agências e não a sua melhoria. 

Quando a dívida pública cresce em rácio do PIB [Produto Interno Bruto], quando o saldo não melhora... Salva-se o comportamento do emprego e da balança externa, mas já sabemos que a balança externa não melhora por causa do Governo, porque deu um contributo negativo, e o emprego não é um indicador avançado, mas um eco do que já aconteceu. Não partilhamos da visão idílica que quer traçar", atira Passos.

Mas Costa não perdeu tempo e repetiu: "Limitaram-se a dizer que o país só acolheria tempestades, teria as sete pragas do Egipto e até que o diabo iria aparecer. Nenhuma dessas tragédias aconteceu, estamos em março e o diabo ainda não apareceu...", tal como todas as desgraças que, diz o primeiro-ministro, Passos Coelho perspetivou que acontecessem ao país com o Governo PS.

E insistiu: "Tendo vossa excelência [Passos Coelho] definido como estratégia que tudo o que seria mau para o país seria bom para si, é normal que esteja frustrado com o que de bom acontece ao país."

E já avançava Passos para as offshores, questionando Costa sobre a situação das empresas e a solução para o malparado. Costa disse que tem reuniões marcadas para resolver o problema e que já começou a resolver alguns problemas com o programa "Capitalizar". O presidente dos sociais-democratas insistiu no tema das offshores e Costa respondeu: dizendo que tem "a vontade de não esconder um problema que o senhor escondeu" e resolvê-lo. "Certamente ficará desiludido, porque cumprirá o seu papel de ficar desiludido sempre que solucionamos um problema", conclui.

Passos exigiu ainda desculpas: "Nem pede desculpa por tentar enlamear as pessoas que estiveram no seu lugar" e o debate continuou a subir de tom. 

O chefe de Governo respondeu: "O senhor consegue sempre surpreender-me pela desfaçatez."

E a trocas de desagradáveis de palavras continuaram, sobre um dinheiro - 10 mil milhões de euros - que passou ao crivo de alguém mas que os portugueses ficam, para já, sem saber quem e que veio parar aos jornais.

Entre os adjetivos de "reles e outros mimos de boa linguagem política" dos quais Costa se sentiu vítima por parte de Passos, há uma semana, e o pedido "defesa da honra" por Passos, Costa remata a dizer que “a bancada do PSD está ressabiada” e lá se levantou também o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro para chamar "mal-educado” ao primeiro-ministro.

Depois desta quase hora trocas deste género, Catarina Martins, líder o Bloco de Esquerda, resumiu bem o que se tinha acabado de passar: "Acho mesmo que ninguém percebeu nada do que aconteceu nos últimos momentos”.

Alda Martins Andreia Miranda / (Atualizada às 11:29)