António Domingues e a sua equipa estão irredutíveis. A administração da Caixa Geral de Depósitos deverá mesmo demitir-se em bloco se o Tribunal Constitucional não aceitar pelo menos manter as declarações de património e rendimentos em sigilo até ao final do mandato. O jornal Público garante na edição desta sexta-feira que essa posição está tomada e já foi, de resto, transmitida ao Governo e ao Presidente da República.

O TC já notificou os visados para apresentarem as declarações, mas o gabinete jurídico do banco considera que na lei que o obriga há margem para impedir a consulta pública dos documentos e que estes ficam apenas acessíveis para entidades como o Ministério Público e a Autoridade Tributária.

O jornal dá conta que há seis administradores que continuam a não querer divulgar essas informações. A equipa à frente do banco público aceita ficar em funções apenas se o TC aceitar sigilo.

Caso contrário, bate mesmo com a porta. Governo e Presidente da República - que recebeu esta semana António Domingues em Belém - já foram avisados e estarão preparados para as consequências. 

Em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, esta semana, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, dizia não haver "nenhum sinal de saída ou de demissão dos administradores da CGD, antes pelo contrário”. 

Acontece que António Domingues considera que se a obrigação de tornar pública a informação fica posto em causa o acordo feito com Mário Centeno (que não esteve no Conselho de Ministros que aprovou regras). Ao mesmo tempo que fica em causa a palavra o atual líder da Caixa deu à sua equipa.

Tanto o Governo como o chefe de Estado que a atual administração fique reduzida ao mínimo. É o que reportam fontes citadas pelo Público, sendo que outras admitem que poderá mesmo ter de se encontrar uma nova administração.

No meio disto tudo, há o processo de reestruturação e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos em curso e a recapitalização, que corre o risco de falhar com uma nova equipa de gestão. O tempo corre e da esquerda à direita os partidos consideram que o banco público já tem muitos problemas e que esta polémica dura já há demasiado tempo.