O desemprego no setor da construção atingiu um novo máximo histórico nos primeiros três meses do ano ao ultrapassar em média os 111 mil inscritos por mês nos centros de emprego, divulgou esta quinta-feira a federação do setor FEPICOP, escreve a Lusa.

Segundo a Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas, esta «é a terceira maior quebra homóloga dos últimos 10 anos e meio no número de postos de trabalho» do setor, depois de já em 2012 a construção ter perdido 74 mil trabalhadores.

Os números constam da análise de conjuntura da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas relativa a maio que considera a situação como o «corolário da profunda crise que assola a construção e que tarda em ser debelada» e «não mostra sinais de inversão».

«Persistem as dificuldades que levam as empresas a reduzir a atividade e, consequentemente, o número de trabalhadores, quando não mesmo a fechar portas», frisa o comunicado.

Como exemplo, a FEPICOP avança que o crédito concedido às empresas «continuou a diminuir», tendo sido «inferior em 14%» em março face ao mesmo mês do ano anterior, destacando igualmente a queda de 8% no primeiro trimestre do crédito concedido às famílias para aquisição de habitação em termos homólogos e cerca de 25% face aos primeiros três meses de 2011.

«No conjunto dos dois anos, a redução verificada neste tipo de crédito atinge nada menos que 75%», sublinha o documento.

A procura dirigida ao setor não escapa à conjuntura e «mantém-se em baixa», com quedas homólogas no primeiro trimestre de 42% na área licenciada para habitação, de 45% nas novas habitações licenciadas e, ainda, de 22% nas licenças emitidas para trabalhos de reabilitação.

Quanto aos primeiros quatro meses do ano, a FEPICOP adianta que o valor das obras públicas lançadas e adjudicadas caiu, respetivamente, 15% e 57% em termos homólogos.

A federação salienta que «estas obras são maioritariamente de urbanização, o que não pode deixar de estar associado ao facto de 2013 ser um ano de eleições autárquicas».

«Com toda esta envolvente, mais de 500 empresas de construção ficaram insolventes nos primeiros cinco meses do ano, representando mais de 19% do total das insolvências», revela.
Redação / LF