"A pandemia de coronavírus representa um grande choque para as economias globais e da União Europeia, com consequências socioeconómicas muito graves", é esta a frase com que a Comissão Europeia abre o comunicado das previsões da Primavera hoje apresentadas.

Um comunicado em que fica clara a retração das economias, concretamente da portuguesa. A Comissão Europeia prevê para Portugal, em 2020, uma recessão de 6,8% e que a taxa de desemprego suba para os 9,7% devido ao impacto da pandemia de Covid-19. Dados divulgados pela Lusa, mas também noticiados pelo correspondente da TVI em Bruxelas, o jornalista Pedro Moreira.

Ou seja, já no que toca ao défice das contas públicas deve atingir os 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, com a dívida a chegar aos 131,6% do Produto.

E os efeitos Covid-19 não ficam por aqui. Para 2021, Bruxelas, prevê mesmo assim uma diminuição do défice orçamental nacional para os 1,8% do PIB, bem como uma descida da dívida pública para os 124,4% do PIB.

No mesmo comunicado, a Comissão Europeia refere que "apesar da resposta política rápida e abrangente, tanto a nível da UE como nacional, a economia da UE experimentará uma recessão de proporções históricas este ano."

As previsões projetam que a economia da zona do euro contrairá um recorde de 7% em 2020, mas crescerá 6% em 2021. Já na UE a contração deverá ser de 7,5% em 2020 e com 6% de crescimento no próximo ano.

As projeções para a UE e para a zona euro foram revistas em cerca de nove pontos percentuais em comparação com as do Outono de 2019. 

O choque para a economia da UE é simétrico, pois a pandemia atingiu todos os Estados-Membros, mas a queda da produção em 2020 (de -4% na Polónia até -9% na Grécia) e a força da recuperação em 2021 podem ser muito diferentes em cada país.

A recuperação económica de cada Estado-Membro dependerá "não apenas da evolução da pandemia naquele país, mas também da estrutura de suas economias e de sua capacidade de responder com políticas de estabilização", diz o comunicado. Dada a interdependência das economias da UE, a dinâmica da recuperação em cada Estado-Membro também afetará a força da recuperação de outros Estados-Membros.

Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da Comissão Europeia, disse: “Nesta fase, só podemos mapear provisoriamente a escala e a gravidade do choque do coronavírus em nossas economias. Embora as consequências imediatas sejam muito mais severas para a economia global do que a crise financeira, a profundidade do impacto dependerá da evolução da pandemia, de nossa capacidade de reiniciar com segurança a atividade econômica e de se recuperar posteriormente."

Estas previsões são mais otimistas do que as do Fundo Monetário Internacional (FMI), que em 15 de abril previu que em 2020 o défice das contas públicas portuguesas atingisse os 7,1% do PIB, e que a dívida chegasse aos 135% do PIB, diz a Lusa.

Governo diz que desempenho da economia portuguesa será menos negativo do que a média

Na reação às previsões, o Ministério das Finanças destacou que em 2020 e 2021 o desempenho da economia portuguesa será menos negativo do que o da média dos países da área do euro e da União Europeia, segundo as previsões de Bruxelas.

Em 2021, a economia deverá crescer 5,8%, mantendo o PIB em níveis abaixo dos registados em 2019. No conjunto dos dois anos, o desempenho da economia portuguesa será menos negativo do que o da média dos países da área do euro e da EU”, refere.

As Finanças destacam também que a Comissão Europeia estima uma recessão generalizada nos países da União Europeia, com consequências socioeconómicas muito graves, provocadas pelo surto epidémico que atravessa todos os estados membros.

A CE prevê que a deterioração do cenário macroeconómico em Portugal assente numa contração da procura interna em 2020, quer do lado do consumo privado (apesar das medidas discricionárias e extraordinárias para preservar contratos de trabalho e rendimentos), quer do lado do investimento (devido ao contexto de incerteza e disrupções nas cadeias globais de valor)”, refere.

Contudo, segundo o Ministério das Finanças, a CE destaca que o investimento em construção deverá ser mais resiliente, beneficiando do ciclo económico e da introdução de maior flexibilidade na utilização de fundos europeus.

“No mercado de trabalho, a CE salienta o aumento da taxa de desemprego de 6,5% em 2019 para 9,5% em 2020, recuperando a tendência de diminuição em 2021, com uma taxa de 7,5%, inferior às previstas para a área do euro (8,6%) e UE (7,9%)”, refere.

/ (Atualizada às 13:26, com comunicado das Finanças, citado pela Lusa) RL com ALM