O Montepio vai avançar com um “plano alargado” de saída de trabalhadores, segundo o Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários, o Sindicato dos Bancários do Norte e o Sindicato Independente da Banca, que se reuniram esta quarta-feira com a administração executiva.

Em comunicado, os três sindicatos disseram que se reuniram com o presidente da comissão executiva do Banco Montepio, Pedro Leitão, o qual “apresentou um projeto de reestruturação que contempla um plano alargado de reformas antecipadas e de rescisões de contratos de trabalho por mútuo acordo que irá decorrer até 2021”, mas sem quantificar quantos funcionários irão sair da entidade bancária.

As três estruturas sindicais consideraram “muito preocupante” o plano de reestruturação apresentado pelo Banco Montepio e aconselham os trabalhadores a não assinarem qualquer acordo ou documentos sem se aconselharem junto dos sindicatos.

Contactado pela Lusa, o presidente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários (SNQTB), Paulo Marcos, disse que nos próximos dias o banco ficou de enviar aos sindicatos documentação sobre o plano de reestruturação e a sua fundamentação.

Esta terça-feira, o jornal 'online' Eco noticiou que o Montepio prepara a saída de 800 trabalhadores e que vai pedir ao Governo o estatuto de empresa em reestruturação, o que permite a quem aceite a rescisão por mútuo acordo ter direito ao subsídio de desemprego.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Montepio disse apenas que é conhecido que o banco “está a ajustar processos e a estudar a sua dimensão, tal como foi partilhado com os colaboradores e as respetivas estruturas”, e que manterá a prática de partilhar “sempre a informação de relevo da instituição com todos os que dela fazem parte” antes da divulgação pública.

A administração do Montepio reuniu-se com a Comissão de Trabalhadores, tendo recusado comentar a notícia do Eco, segundo informações a que a Lusa teve acesso.

O Banco Montepio teve prejuízos de 51,3 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, que comparam com os lucros de 3,6 milhões de euros do mesmo período de 2019, tendo justificado com as imparidades que constituiu (109,4 milhões de euros) para fazer face a perdas de crédito decorrentes da crise desencadeada pela covid-19.

No final de junho, o grupo Banco Montepio tinha 3.962 trabalhadores (mais 25 do que em junho passado) e 328 agências em Portugal.

O Banco Montepio - detido pela Associação Mutualista Montepio Geral - já tinha anunciado em junho o fecho de 31 balcões até final do ano.

O setor bancário europeu está há anos a reduzir balcões e funcionários, medidas justificadas com a digitalização das operações e com a vontade manifestada de reduzir custos, uma tendência que a crise desencadeada pela covid-19 deverá acentuar.

/ AG