Os economistas acreditam que o Banco Central Europeu (BCE) vai manter a taxa de juro de referência para a Zona Euro estável em 1% pelo menos até Junho do ano que vem, o que indica um alívio na prestação da casa.

No meio de tantas más notícias para o bolso dos portugueses, esta pode ser uma das poucas agradáveis: em 2012, a maioria das famílias irá poupar no crédito à habitação.

Dos 49 especialistas contactados pela Bloomberg, a larga maioria (46) apontam para a manutenção da taxa na reunião da próxima semana e nos meses seguintes. Apenas 3 acreditam que o preço do dinheiro pode baixar 25 pontos base para 0,75% já em Janeiro.

Os economistas apostam na manutenção da taxa de juro até pelo menos meados do ano, mas há alguns que apontam para a estabilidade até ao final do ano, altura a partir da qual a taxa poderia voltar a subir.

O cenário está, como é natural, sujeito à incerteza que paira sobre o futuro da Zona Euro nesta altura de crise. Mas o abrandamento da inflação na Zona Euro, que caiu pela primeira vez em cinco meses, de 3 para 2,8% em Dezembro, ajuda a reforçar a tese de que, se necessário, o preço do dinheiro pode baixar ainda mais.

Para além do abrandamento da inflação, há também o abrandamento económico, com algumas das maiores economias a serem fortemente penalizadas pela crise da dívida do euro, a reforçarem um cenário de eventual corte das taxas.

Os economistas do IHS Global Insight e do ABN Amro, por exemplo, dizem que o BCE pode cortar a taxa de referência até aos 0,5% para combater a recessão.

Prestações baixam já em Fevereiro e pode haver mais descidas este ano

A tendência já é visível nas taxas comerciais, as Euribor, que desceram ligeiramente em Dezembro. Isso quer dizer que as famílias cujos contratos de crédito à habitação forem revistos em Janeiro, notarão um alívio na prestação mensal a pagar ao banco já em Fevereiro.

Por exemplo, para um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, com um spread de 0,7%, indexado à Euribor a três meses, a prestação mensal a pagar ao banco deverá cair 8 euros. Se o indexante for a taxa a seis meses, a descida será um pouco menos acentuada: 5 euros.

Tendo em conta a possibilidade de novas descidas no preço do dinheiro em 2012, as Euribor deverão acompanhar a tendência e as prestações também. Analistas à parte, os futuros da Euribor a três meses mostram que os mercados antecipam essa descida.
Redação / PGM