Quando decidir comprar um carro usado, e depois de optar pelo stand com a melhor oferta, é provável que lhe proponham um financiamento. Convém negociar até ao cêntimo e não ceder à primeira oferta. Visite o maior número de instituições de crédito, a começar pelo seu banco, e peça simulações para o montante de que necessita.

Os stands são meros intermediários no financiamento e, muitas vezes, ganham uma comissão sobre os créditos contratados pelas instituições com que trabalham, sublinha a Associação de Defesa do Consumidor (Deco), num dossier sobre este tema, a publicar na «Proteste» de Março.

Regra geral, «as taxas propostas são mais elevadas do que nos bancos. Além disso, nestes, pode usar produtos já contratados ou que esteja disposto a contratar para reduzir a taxa: por exemplo, domiciliação de ordenado e pagamentos, cartão de crédito, conta à ordem, etc.», refere.

Seguros a mais encarecem leasing

Contabilize os encargos associados às diversas modalidades de financiamento. Por exemplo, o preço dos seguros para o carro varia bastante consoante opte pelo crédito ou pelo leasing. No leasing são exigidos seguros de responsabilidade civil facultativa (50 milhões de euros) e de danos próprios. Já no crédito automóvel, basta o de responsabilidade civil obrigatória, no valor de 3 milhões e 250 mil euros e, nalguns casos, o de vida. Ainda assim, se tiver disponibilidade financeira e o carro menos de 5 anos, convém contratar uma apólice «contra todos os riscos».

Em regra, as instituições de crédito têm protocolos com as seguradoras e conseguem propor bons prémios, mas convém simular o prémio anual noutras seguradoras ou mediadores. Pergunte também que garantias são exigidas e se existem despesas de contratação (comissões de entrada, processamento, etc.). Alguns destes elementos são essenciais para comparar o custo real de várias propostas. Este traduz-se na taxa anual de encargos efectiva global (TAEG), que as instituições são obrigadas a dar ao cliente numa simulação. Em caso de dúvida, use o simulador da Deco.

Tenha em conta que este tipo de financiamento não serve para todos os carros. A maioria das instituições impõe um limite, na maioria dos casos, de 10 anos no final do prazo do crédito. Logo, se quiser comprar um veículo com 6 anos, não poderá pedir um financiamento superior a 4 anos.

Escolher o crédito certo pode poupar-lhe 650 euros por ano

A Deco lembra que nem todos os bancos cumprem as regras do Banco de Portugal. Este tipo de crédito tem uma taxa máxima, fixada trimestralmente, mas alguns bancos tentam cobrar mais do que a lei permite.

«Se visitar os bancos certos, poupa entre 409 e 650 euros por ano», diz a associação, que testou várias instituições. Além dos bancos, a Deco lembra que algumas marcas oferecem condições vantajosas para os compradores dos seus veículos, uma opção que não é de excluir.

Analise bem o carro todo, para não comprar gato por lebre e, no que toca à garantia , faça valer os seus direitos.
Redação / PGM