Portugal é o segundo país da Europa onde mais se usam os cartões de crédito e débito nas operações de pagamento, segundo números do Banco Central Europeu (BCE).

Em 2010 - últimos dados disponíveis - 68 por cento do total de transações efetuadas em Portugal concretizaram-se através do uso de cartões. De acordo com os dados do BCE, só a Dinamarca (69%) tinha uma proporção superior, escreve a Lusa.

Estes dados surgem no dia em que o jornal «Público» revela que, a partir de 1 de setembro, a cadeia de supermercados Pingo Doce vai deixar de aceitar pagamentos com cartões Multibanco e de crédito em compras com valor inferior a 20 euros. O objetivo é poupar cinco milhões de euros por ano. Mas para muitos dos clientes do Pingo Doce, regressar a operações com dinheiro ou cheques será uma novidade. Por isso, a medida não agrada à DECO.

À Agência Financeira o secretário-geral da Associação, Jorge Morgado, disse que esta não é uma medida «interessante» para os consumidores. «É voltar atrás num quadro que é bom, cómodo e seguro. A utilização do multibanco permite que os consumidores andem com menos dinheiro no bolso, com uma comodidade e segurança  inquestionáveis». Assim, vão «obrigar os consumidores a andar de novo com mais dinheiro». 

Feitas as contas, no final do ano 2000, haviam 91 mil terminais de pagamento automático em Portugal. No ano passado, haviam 274 mil, segundo o Banco de Portugal.

Ainda no ano passado, os portugueses tinham 10 milhões de cartões de débito («cartões multibanco») e 9,3 milhões de cartões de crédito. Este valor significa que, em média, cada português tem dois cartões de pagamento ativos.

Em 2010, segundo dados do BCE, o valor médio por pagamento com cartões foi 45,86 euros por operação.

BdP diz que número de terminais desceu pela 1ª vez

Outros dados do Banco de Portugal (BdP) indicam que o número de terminais de pagamento automático em Portugal desceu pela primeira vez mas só no ano passado.

No final de 2011, havia 274,1 mil terminais ativos em Portugal: uma ligeira redução face aos 278,4 mil em funcionamento no ano anterior.

Mesmo assim, desde que o BdP começou a registar esta estatística, em 2000, todos os anos o número de terminais crescia, normalmente em taxas a rondar os 10 por cento. Há uma dúzia de anos, havia apenas 91,3 mil terminais em Portugal - agora há três vezes mais.

A redução em 2011 poderá estar relacionada com a crise económica, nomeadamente devido ao encerramento de vários pontos de venda ou da decisão de comerciantes em reduzir custos.
Redação / CPS