E em tempos de 'aperto de cinto', as famílias agradecem, apesar da descida pouco acentuada.

"O impacto de queda nos indexantes é sempre positivo para as famílias, mas a maior parte do efeito já foi sentido nos anos anteriores quando as taxas estavam bem acima dos níveis atuais. Agora o que se sente é uma redução de décimas e centésimas de ponto percentual", explicou o economista Filipe Garcia à TVI24. "Apesar de ser 'simbólico' o facto de a taxa ser negativa, o impacto na prestação é reduzido", continuou.

"A média das Euribor a três meses vai ser negativa em maio, mas apenas em -0.01%. Ou seja, muito longe de compensar o spread que a é pago. Em todo o caso são boas notícias para quem deve. Deve notar-se que no indexante a seis meses e 12 meses (que representam mais de metade dos créditos), a média ainda se encontra acima de 0%", lembra.


Famílias devem acautelar-se para eventuais subidas

Conforme explicou Filipe Garcia à TVI24, "o que mudou recentemente é que o mercado de futuros está a descontar uma subida das Euribor a três meses novamente para valores positivos daqui a algum tempo, mas sempre muito perto de 0%. Mas, o que se observa nas Euribor propriamente ditas é que continuam a cair, pelo que não há qualquer alteração na tendência. A descida dos preços futuros (subida das Euribor implícitas) parece-me estar relacionada com uma eventual redução dos receios de deflação na zona euro”.

Alerta o economista que, "é claro que se trata de taxas anormalmente (historicamente) baixas e que as famílias devem ter sempre presente que poderemos voltar no futuro a ter taxas de juro mais altas. Devem acautelar-se financeiramente para essa eventualidade". No entanto, "é justo dizer que nada indica que a situação se vá alterar num futuro previsível".


Taxas descem para novos mínimos






Porque é que os juros estão tão baixos?

Segundo explica Filipe Garcia, "a situação atual deriva da política monetária do BCE de ter taxas de juro de cedência de liquidez muito baixas, uma taxa de depósitos negativa (-0.2%) e de o BCE ceder toda a liquidez que os bancos solicitam, desde que tenham colateral para tal. O facto de o BCE comprar ativos em mercado secundario, divida publica e não só, contribui decisivamente para este cenário".

"Quanto à evolução dos juros, é evidente que vivemos num período inédito em termos de taxas e de política monetária. Ninguém sabe como este 'experimentalismo monetário' irá terminar. Mas, no curto prazo, não há qualquer indício de inversão nas taxas de juro ou qde algum sinal de subida dos juros no futuro previsível. Pode dizer-se que 'as taxas não vão ficar baixas para sempre', mas estão abaixo de 2%  (que foi o mínimo até 2009) há mais de 6 anos, o que dá que pensar", concluiu.

Redação