Quer arrancar com um negócio, mas a banca não concede empréstimo? Pois bem, o microcrédito pode ser a salvação, uma vez que dá crédito a quem não tem garantias reais, ao contrário do que acontece no sistema financeiro tradicional.

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Como funciona? É simples. Basta ter uma ideia da actividade que quer criar e, a partir daí, a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) ajuda a desenvolver todo o projecto e «business plan». Quando o dossier estiver concluído, é enviado ao banco para que a instituição financeira dê luz verde ao projecto, explica o presidente da associação, Mohamed Ahmed, em entrevista à Agência Financeira.

Neste momento, a associação tem acordo com 3 bancos ¿ o Millennium BCP, Caixa Geral de Depósitos e Banco Espírito Santo ¿ e apesar de reconhecer que a oferta «satisfaz largamente a procura», admite que este universo financeiro pode vir a ser alargado.

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Microcrédito em «raio-x»

«Para os objectivos e para a procura que temos esta actual oferta responde às necessidades. A grande preocupação é convencer as pessoas que têm ideias a arriscar, porque há sempre um risco inerente, e a procurar financiamento», refere o presidente da associação, que acrescenta ainda que, ao mesmo tempo, «é importante convencer a banca tradicional que as pessoas que não têm garantias reais também podem ser bons pagadores e aí quanto mais protocolos tivermos melhor».

Conselhos afastados

Para quem não tem ideias sobre a actividade que pode vir a criar então a associação pouco ou nada ajuda.

«É um princípio sagrado que temos: não damos ideias. As pessoas já chegam à associação com a ideia do negócio que querem montar. Quanto muito ajudamos a melhorar esse conceito, quando percebemos que tem consistência. Quando as pessoas perguntam-nos onde investir, nunca damos essas respostas», refere Mohamed Ahmed à AF.

O responsável salienta, no entanto, que geralmente os microempresários «já têm alguma habilidade, alguma experiência, mas faltam-lhes os meios de produção e os meios financeiros para arrancar com o projecto».

A verdade é que há sempre alguém que contraria essa tendência e, segundo o responsável da Associação Nacional de Direito ao Crédito, «há muitos que apostam em áreas que não conhecem».

Para estes casos, o acompanhamento que a ANDC faz pode dar «uma boa ajuda», uma vez que, revela como funciona o mercado, a concorrência, como formar preços, como lidar com as finanças e fornecedores, entre outros.

Europa impulsiona microcrédito

Mohamed Ahmed reconhece que o microcrédito visto não só como um instrumento financeiro reconhecido e encorajado pela União Europeia, como é um importante pilar de inserção social.

«O microcrédito é fundamental para a inclusão das pessoas, pois ajuda quem está desempregado ou em risco, ou até mesmo quem têm trabalho, mas que são pobres», acrescentando ainda que «os indivíduos antes de serem excluídos socialmente são excluídos economicamente e financeiramente. Por exemplo, um quinto da população portuguesa não tem conta bancária e mais de 60% não tem uma conta poupança».
Sónia Peres Pinto