O primeiro-ministro justificou esta terça-feira em entrevista à RTP a violação da sua promessa eleitoral de não aumentar os impostos: «o mundo mudou», disse.

José Sócrates começou por lembrar que, quando o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) foi apresentado, no primeiro trimestre do ano, ele foi aplaudido por todos e considerado suficiente para corrigir o défice, ao mesmo tempo que protegia a nossa economia.

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«Entretanto o mundo mudou. Houve um ataque ao euro, um ataque sistémico. Mudaram os mercados financeiros. Numa semana as obrigações do Tesouro pagavam juros de cerca de 5%, e uma semana depois estavam a mais de 7%. Foi uma mudança abrupta para Portugal, Espanha e todos países do euro. O que houve foi um ataque à dívida soberana europeia», disse.

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«Houve uma mudança significativa no ambiente e uma desconfiança acrescida relativa à dívida soberana dos países do euro. Todos países foram atacados nessa semana e a Europa tinha de agir em conjunto. Portugal não podia ficar de fora e não fazer nada», acrescentou.

«O mundo mudou em duas semanas e tenho obrigação de conduzir governação estando atento às mudanças da realidade», disse ainda o primeiro-ministro.

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Nunca pensei, nem nenhum dirigente europeu pensou, que houvesse uma desconfiança generalizada em relação à dívida dos países europeus. Nunca pensei em aumentar impostos. Fiz tudo para não aumentar os impostos, mas o mundo mudou nas últimas três semanas» concluiu.

Problema nº 1 em Portugal é a recuperação económica

José Sócrates reconhece que o desemprego, cuja taxa atingiu os 10,6% no primeiro trimestre, está em valores históricos, mas faz questão de sublinhar que essa é uma situação transversal a muitos países da Europa.

O primeiro-ministro coloca a recuperação económica como o «problema número 1», porque sem crescimento não há emprego.

«Se não tomássemos estas medidas, a recessão seria muito maior», garantiu.
Redação / PGM