O primeiro-ministro anunciou esta sexta-feira que o Governo decidiu aumentar a contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social para 18% e descer a contribuição das empresas para o mesmo valor (é uma queda de 5,65%).

«O Governo decidiu aumentar a contribuição para a Segurança Social exigida aos trabalhadores do sector privado para 18%, o que nos permitirá, em contrapartida, descer a contribuição exigida às empresas também para 18 por cento», afirmou Pedro Passos Coelho, numa declaração ao país, na residência oficial de São Bento, em Lisboa.

Passos Coelho referiu que «a subida de sete pontos percentuais na contribuição dos trabalhadores será igualmente aplicável aos funcionários públicos e substitui o corte de um dos subsídios decidido há um ano».

Na prática, os trabalhadores vão perder um salário por ano, com este aumento da contribuição à Segurança Social. Mas o que o primeiro-ministro preferiu sublinhar, na sua intervenção, foi o alívio para as empresas e a forma como espera que esta medida consiga «estancar» o desemprego.

«Faremos assim descer substancialmente os custos que oneram o trabalho, alterando os incentivos ao investimento e à criação de emprego. E fá-lo-emos numa altura em que a situação financeira de muitas das nossas empresas é muito frágil», acrescentou o primeiro-ministro.

«Podemos agir com rapidez para aliviar e estancar o aumento do desemprego. Fizemo-lo com programas de ajuda ao emprego, desenhados para incentivar a criação de emprego, sobretudo para os mais jovens, agora temos a oportunidade de dar um enquadramento mais sólido a estas políticas ativas de emprego», disse, logo antes de referir que uma medida deste cariz «justifica-se» para «combater o crescimento do desemprego; essa principal fonte de angústia dos portugueses».
Judite França / e Rita Leça