O investimento português em Espanha atingiu os 307 milhões de euros em 2011, cerca de um por cento do total do investimento estrangeiro no país, sendo que o «stock acumulado» de investimento ascende a 13 mil milhões de euros.

Os dados foram divulgados por María del Coriseo González-Izquierdo, conselheira delegada do Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX), que participou em Madrid no «Fórum do Mercado Ibérico ¿ novos desafios e oportunidades».

Apesar de considerar que o investimento português em Espanha no ano passado foi «relativamente pouco», González-Izquierdo recordou que o volume total investido pelas empresas portuguesas em Espanha nos últimos anos é muito significativo, ultrapassando os 13 mil milhões de euros.

«Trata-se do fluxo líquido acumulado, de todo o investimento histórico português em Espanha desde a abertura da economia espanhola ao investimento estrangeiro», explicou, referindo que se concentra em setores como o financeiro, a energia, cimento, logística ou centros comerciais e que, segundo a responsável do ICEX «pode ser fortalecido».

«Acreditamos que é possível gerar muito mais relações de investimento entre os dois países», considerou.

O objetivo é, explicou, conseguir investimento produtivo e de capital, «mais gerador de riqueza e de emprego» em setores que «têm mais solvência neste momento» como, destacou os de tecnologias da informação e da comunicação e todo o grande setor da saúde.

A responsável do ICEX destacou, especificamente, setores como outsourcing, software, desenvolvimento de videojogos, saúde em rede, ciências da saúde, tecnologias sanitárias, medicina privatizada, ou terapias avançadas.

Questionada pela Lusa sobre o interesse de investidores portugueses em Espanha, González-Izquierdo refere uma vontade crescente de encontrar «parceiros estratégicos», tanto para o mercado ibérico como para projetos noutros mercados.

«Ainda há muito mais espaços para trabalhar. As nossas duas economias juntas teriam muito mais peso e as empresas, se colaborarem, podem crescer em tamanho e dimensão para competir nos mercados em que estamos», afirmou.

«O mercado ibérico no seu conjunto está a competir noutra liga onde somos demasiado pequenos individualmente mas onde juntos poderíamos ter mais êxito», afirmou.

Analisando a tendência do mercado de investimento em Espanha, a responsável do ICEX explicou haver uma «mudança do modelo de negócio» com «cada vez menos novos investimentos em unidades produtivas, mas a crescer significativamente o interesse de capital estrangeiro em fusões e aquisições».

Em declarações à Lusa, rejeitou que isso signifique que Espanha «esteja em saldos» mas que, dada a atual conjuntura, «há oportunidades que os investidores estão a identificar».

«Temos que ver a parte positiva disto, de que tenham aumentado fusões e aquisições. O que não queremos dar, da administração, é a imagem de que o país está em saldos», afirmou.

«Este é um processo no âmbito da internacionalização que é normal. Quando há crises, quando um país está a passar um mau bocado e o crédito não flui, o capital de risco pode ser a solução. Todos os investidores dizem que é um momento de oportunidades», explicou.

«Pode ser positivo se com isso os negócios, o emprego e a riqueza continuar a existir e a prosperar, independentemente se os capitais são mais ou menos espanhóis», afirmou.
Redação