A Irlanda pediu ajuda, os parceiros europeus já aprovaram o auxílio. O valor ainda não está certo, mas deverá estar próximo dos 90 mil milhões de euros. A questão fundamental é: quanto pode caber a Portugal?

Nestes casos, cada país contribui de acordo com o seu peso no capital do Banco Central Europeu (BCE) o que, no caso de Portugal, corresponde a 1,75%.

No caso da Grécia, o primeiro país a pedir a ajuda internacional, o valor envolvido era maior (110 mil milhões de euros). Na altura, o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou com um terço do valor e os parceiros europeus com os restantes 66%.

A ser aplicada a mesma fórmula agora, o FMI assegurará cerca de 30 mil milhões e os países do euro os outros 60 mil milhões, de forma a perfazer os 90 mil milhões de que a Irlanda necessita.

Mas há aqui outro factor a ter em conta: quando a Grécia pediu ajuda, a parte do capital do BCE que pertencia à Grécia (1,96%) foi distribuída por todos os outros parceiros. Desta vez, provavelmente, as contas serão feitas não só sem a Irlanda, que é quem está a pedir ajuda, mas também sem a Grécia, que já está a viver de empréstimos internacionais. As partes que cabem aos dois países devem assim ser distribuídas pelos restantes parceiros.

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A verificar-se esta premissa, a «fatia» que caberia a Portugal quase duplica e passa de 1,75 para mais de 3%. Se isso acontecer, Portugal pode ter de entrar com 1.800 milhões de euros para ajudar a Irlanda, numa altura em que já não tem dinheiro.

A solução, tal como aconteceu aquando da Grécia, pode estar mais uma vez no endividamento, ou seja, o nosso país terá de se endividar para emprestar à Irlanda.

O único factor atenuante, que pode fazer «encolher» a nossa fatia neste bolo solidário é a ajuda que Reino Unido e Suécia (dois países que não pertencem ao euro) se disponibilizaram para dar à Irlanda.

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Redação / PGM