A agência de notação financeira Moody's não se pronunciou sobre o 'rating' atribuído a Portugal, mantendo a dívida pública portuguesa com uma nota de 'Baa3' e uma perspetiva estável.

Desde 12 de outubro que a Moody’s tem uma nota de 'Baa3' para a dívida soberana de Portugal, com uma perspetiva estável, tendo sido a última agência de 'rating' a retirar Portugal de um grau de especulação ou 'lixo', quando já a Standard & Poor's (S&P), a Fitch e a DBRS tinham colocado o país no patamar de investimento.

A Fitch e a DBRS avaliam, atualmente, a dívida pública portuguesa em 'BBB' com perspetiva estável, enquanto a S&P atribui uma nota de 'BBB-' com perspetiva positiva, o que reflete a possibilidade de uma melhoria na nota atribuída à capacidade de crédito de Portugal em breve.

Em entrevista à Lusa, à margem da conferência anual da Moody’s sobre as tendências creditícias europeias, que decorreu na quinta-feira, em Lisboa, especialistas da Moody’s indicaram que os bancos portugueses estão no bom caminho, mas devem continuar a melhorar a qualidade dos ativos e reforçar os esforços de reestruturação, nomeadamente em termos da redução da rede de agências.

Os bancos portugueses foram alvo de uma grande reestruturação nos últimos anos e estão no bom caminho, o que não quer dizer que não haja desafios ou ameaças”, afirmou Alberto Postigo, vice-presidente e ‘senior credit officer’ da Moody’s para a banca.

Maria Cabanyes, 'senior vice president' da Moody's para a banca, indicou, por seu turno, que “o reforço da capacidade de absorção de riscos por parte dos bancos”, intensificando a almofada financeira em comparação com os ativos problemáticos, resultará numa avaliação mais positiva por parte da agência de ‘rating’.

Também em entrevista à Lusa, Jorge Rodriguez-Valez, vice-presidente e ‘senior credit officer’ da Moody’s referiu que a redução dos níveis de endividamento dos Estados, das empresas e das famílias ajudaria consumidores, empresas e governos a enfrentar um novo abrandamento económico.

Se os níveis de endividamento são muito elevados, a redução da dívida pública, do nível de endividamento das empresas e das famílias iria definitivamente ajudar consumidores, empresas e também governos num período de abrandamento económico”, afirmou o responsável, adiantando que qualquer país europeu ficaria numa melhor posição para enfrentar uma mudança no ciclo económico.

De acordo com o calendário da atualização dos ‘ratings’ previsto para 2019, a Moody’s pode ainda pronunciar-se sobre Portugal em 09 de agosto.

A S&P será a próxima das principais agências de notação financeira a olhar para Portugal, no dia 15 de março, voltando depois a fazê-lo em 13 de setembro.