O presidente executivo do Novo Banco disse esta quarta-feira, no parlamento, que "vale mais não executado do que não executado" o aval pessoal de Luís Filipe Vieira na dívida da empresa Promovalor.

Eu não quero dizer nada que prejudique as recuperações de crédito, o que vou dizer vou dizer com cautela. O aval do Sr. Luís Filipe Vieira vale mais não executado do que executado", disse António Ramalho, em audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

O gestor tinha sido questionado pela deputada do BE Mariana Mortágua sobre se o Novo Banco avaliou o património pessoal de Luís Filipe Vieira, já que há um aval pessoal aos créditos da Promovalor, tendo dito Ramalho que "foi avaliado o património pessoal" por duas vezes.

Questionado sobre se ouviu Luís Filipe Vieira dizer no parlamento que o Novo Banco nunca fez qualquer avaliação do seu património, Ramalho disse que não ouviu mas que o fez: "Não ouvi, mas fez, quando [o Novo Banco] aceitou a reestruturação da Promovalor fez a avaliação da Promovalor", afirmou.

O gestor disse que na primeira avaliação foi detetado "um imóvel que serviu de tom jocoso no jornal" e que na segunda vez "foi encontrada uma moradia que não estava na primeira" avaliação.

Oxalá que sim [que tenha mais património], era bom para nós", respondeu Ramalho a Mariana Mortágua quando a deputada lembrou que Luís Filipe Vieira disse no parlamento que tinha mais património pessoal do que o referido pelo Novo Banco em relatórios internos.

Na semana passada, o presidente da Promovalor, Luís Filipe Vieira, esteve na comissão inquérito por ser dos maiores devedores ao BES/Novo Banco, tendo dito que nunca o tentaram executar.

Em 2018 tinha uma exposição total, se excluirmos o fundo que vendeu ao BES, de cerca de 380 milhões de euros. Já aqui disse que deu um aval pessoal para várias das suas dívidas, que nunca ninguém executou. Temos um parecer interno de 2019 [do Novo Banco] em que nos diz que o único bem em seu nome é uma casa para palheiro”, questionou, no arranque da audição, Mariana Mortágua.

Luís Filipe Vieira negou de imediato e assegurou que nunca o tentaram executar, tendo a deputada do BE insistido para saber qual o património que “está por trás desse aval que deu”.

Depois de uma longa conversa com o seu advogado, o presidente da Promovalor disse: “Eu neste momento não estou em incumprimento com o BES nem com ninguém. No dia em que eu tiver que chegar a alguma situação com o BES, logicamente que eu tenho que cumprir com aquilo que está acordado”.

Luís Filipe Vieira deixou claro, depois da insistência de Mariana Mortágua, que tem mais património do que a “casa para palheiro” referida.

Nem moro aí nem nunca morei aí, nem sei o que é isso tão pouco”, atirou, não vendo “qual é a necessidade” de dizer “o seu património neste momento”.

Ainda sobre Luís Filipe Vieira, Ramalho disse hoje que nunca assistiu a jogos de futebol a convite do também presidente do Benfica e que o conhece enquanto empresário desde logo de quando era gestor de outros bancos, como no Banco Pinto & Sotto Mayor.

O presidente do Novo Banco afirmou que após a reestruturação da dívida da Promovalor no conselho de crédito que sugeriu pela "notoriedade e complexidade" do processo que também fosse aprovada em Conselho de Administração, o que aconteceu.

/ JGR