O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, enviou esta quarta-feira uma carta ao primeiro-ministro grego Lucas Papademos para que conclua as medidas prévias necessárias para a concessão do novo resgate financeiro à Grécia.

O porta-voz da CE para os Assuntos Económicos e Monetários, Amadeu Altafaj, anunciou o envio da carta, mas optou por não se pronunciar sobre o processo, que termina na quinta-feira, de troca de títulos que está a ser negociado entre o governo grego e o setor privado.

«Trata-se de uma questão que deve ser abordada quando a oferta estiver terminada e quando tenhamos resultados» da permuta, disse, citado pela agência noticiosa Efe. Mas sublinhou que a Comissão está «confiante» no sucesso desta operação.

Na carta, Durão Barroso recordou a Papademos diversas ações prévias que devem ser cumpridas por Atenas para a concessão de um segundo resgate de 130 mil milhões de euros, onde se inclui a cooperação com o Banco Europeu de Investimentos (BEI), com o Fundo do Investimento e com o Fundo Nacional da Grécia para o Desenvolvimento, com o objetivo de desbloquear 650 milhões de euros disponíveis para apoiar as pequenas e médias empresas helénicas.

O presidente da Comissão sugeriu ainda que deve ser alcançado rapidamente um acordo no Conselho Europeu e no Parlamento sobre a forma como a União Europeia deve repartir os riscos no financiamento de projetos de infraestruturas importantes, aproveitar o fundo social europeu e transferir os fundos utilizados para ajudar os jovens gregos a serem reintegrados no mercado de trabalho, e ainda identificar as formas de apoiar o programa de privatizações do executivo de Atenas.

Em paralelo, o governo grego prosseguia hoje intensas negociações com o setor privado na véspera de expirar o prazo que lhe foi concedido para assegurar o perdão de parte da dívida soberana, sem o qual o país está ameaçado de falência.

O Instituto da Finança Internacional (IIF) anunciou esta quarta-feira que os credores privados já se pronunciaram a favor de uma troca da dívida grega, que de momento apenas representa 39,3 por cento (81 mil milhões de euros) do montante total envolvido nesta operação.

A Grécia já indicou que apenas procederá à troca caso a taxa de participação atinja um mínimo de 75 por cento desta parte da dívida grega detida pelos credores privados.

Na terça-feira, a Agência grega de gestão da dívida pública tinha já advertido em comunicado que «o programa económico grego não prevê a disponibilização de fundos para reembolsar os credores do setor privado que recusem participar» na operação, destinada a suprimir 107 mil milhões de euros da dívida grega.