Os candidatos ao ensino superior aumentaram, mas os pedidos de bolsa desceram o que pode significar que a pandemia também trouxe mais necessidade de abandono escolar e incerteza. A questão é saber que meios há a disposição de quem precisa, por isso convidámos a presidente da Federação Académica de Lisboa, Sofia Escária para a Economia 24 e também para o nosso direto do Instagram da TVI24.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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1- Como está a correr a preparação o novo ano letivo?

O cenário é incerto e complicado. Não sabemos como vai ser o futuro, que se inicia já em setembro sem ser para o primeiro ano – em algumas instituições no dia 6. E continuamos sem saber as medidas e o modelo de ensino porque vamos ter um regime híbrido em que parte dos estudantes vai, cerca de duas vezes por semana, às instalações e, em simultâneo, os outros estão a acompanhar as aulas à distância e vão intercalando entre si.

Mas existe muito incerteza, mesmo ao nível do alojamento e da qualidade do ensino que é ministrado.

2 - Há menos alojamento este ano para os alunos universitários?

Há porque a capacidade instalada das residências foi significativamente reduzida. Os quartos têm de cumprir distanciamento mínimo e, neste caso, há muitos quartos duplos. Temos residências que vão perder 200 a 300 camas. Se o alojamento já não era suficiente para sequer 10% dos estudantes deslocados, agora ainda será menos tendo em conta que, pelos números, teremos mais estudantes.

3 - Os dados mostram que há menos pedidos de bolsas. Porquê?

Acredito que seja quer por questões de incerteza quer por constrangimentos económicos. Temos relatos de estudantes que pensam abandonar o ensino superior, mesmo tendo havido uma atualização do valor das bolsas para contemplarem a quebra de rendimentos dos agregados familiares resultante da pandemia. Muitos não têm noção se vão continuar a frequentar o estudo. A qualidade formativa também pode justificar uma parte desta descida porque, por exemplo, em Belas Artes ou Agronomia os estudantes sentem que as passagens administrativas ou as aulas à distância não lhes dão a mesma qualificação.

4 - Que conselhos estão a dar os organismos, como a Federação, a quem precisa de apoio?

Que não desistam. Que tentem contatar com os Serviços de Ação Social da universidade ou politécnico ao qual se pretendem candidatar. Sabemos que a medida do Governo, no que toca ao alojamento, não é suficiente, de todo: estamos a tentar protocolar com a Movijovem - Mobilidade Juvenil - cerca de 300 camas a nível nacional.

Além das bolsas de estudo e dos auxílios de emergência da Direção-Geral do Ensino Superior, as instituições têm fundos próprios de emergência e apoio social, com bolsas acrescidas e complementares para tornar possível um apoio adicional e procurar evitar que os jovens abandonem o ensino.

Além disso, houve uma majoração do complemento ao alojamento. Os estudantes que não estavam nas residências recebiam cerca de 178 euros e agora, no mínimo recebem 209 euros. Embora não chegue para comportar os custos todos, já é melhor. E em algumas regiões - como Lisboa, Algarve ou Funchal - podem aumentar em função do metro quadrado por região, porque supera a média nacional.

5 - A nível de bolsas, quando podem pedir para este ano que vai começar?

Podem começar a pedir. O prazo termina a 30 de setembro. Candidatem-se já, mesmo que não saibam onde vão ficar colocados e podem, inclusive, dar indicação de que querem que seja contemplada a quebra de rendimentos da pandemia. Normalmente os rendimentos eram só do ano civil anterior, e neste caso pode ser considerado o que aconteceu entre fevereiro e junho deste ano.

 
Alda Martins