A casa, como é óbvio, continua a ser a maior preocupação dos portugueses. Pagá-la já custa muito, seja ao banco ou ao senhorio. No segundo caso, a instabilidade é acrescida por causa dos prazos dos contratos e em tempo de pandemia cria outras dúvidas.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística referem que o valor médio da avaliação bancária, realizada no âmbito de pedidos de empréstimo para compra de casa, se fixou, em maio, nos 1.114 euros por metro quadrado, mais três euros do que o preço registado no mês de abril. Trata-se do montante mais elevado desde janeiro de 2011, segundo referiu o instituto no final de junho.

Por seu lado, a publicação Confidencial Imobiliário revelou que no primeiro mês de desconfinamento, maio, a venda de casas em Portugal aumentou 23% face ao mês anterior. "Tal reanimação fez com que o mês de maio reduza para 41% o declive face aos níveis de atividade registados no pré-Covid (janeiro), numa clara recuperação face à queda de 53% que se observou em abril."

Convidámos Hugo Silva, especialista em mercado imobiliário, para estar na Economia 24 e nos mostrar alguns preços, pós estado de emergência, na comparação com o início do ano e também com o mesmo período de 2019. A escolha do T3 tem a ver com o facto de ser uma das tipologias mais procuradas e, muitas vezes, menos disponíveis no mercado.

VARIAÇÃO DO PREÇO DAS CASAS ENTRE O PRIMEIRO E O SEGUNDO TRIMESTRE

 

 

 

 

 

 T3 Vendidos

 

 

 

Período

 

Amadora

V.F. Xira

EXPO

Almada

Gaia

Av. Novas

1 de Jan

08/mar

2020

187.000 €

139.000 €

524.000 €

144.000 €

158.400 €

515.000 €

01/abr

30/jun

2020

213.000 €

155.000 €

612.000 €

163.000 €

159.000 €

440.000 €

 

 

%

13%

11%

16%

13%

0%

-13%

VARIAÇÃO DO PREÇO DAS CASAS ENTRE O SEGUNDO TRIMESTRE DE 2019 E 2020

 

 

 

 

 

 T3 Vendidos

 

 

 

Período

 

Amadora

V.F. Xira

EXPO

Almada

Gaia

Av. Novas

01/abr

30/jun

2020

213.000 €

155.000 €

612.000 €

163.000 €

159.000 €

440.000 €

01/abr

30/jun

2019

185.000 €

141.000 €

623.000 €

158.000 €

130.000 €

660.000 €

 

 

%

15,14%

9,93%

-1,77%

3,16%

22,31%

-33,33%

 

Durante o estado de emergência e após houve muita especulação, sobre a evolução do mercado e a opinião generalizada era de que iria baixar, sobretudo para venda, e isso não veio a acontecer, bem pelo contrário”, afirmou.

Hugo Silva justificou com o facto de as pessoas terem aproveitado o confinamento para pesquisarem casas e fazerem perguntas sobre os imóveis, mas “quem queria vender não o fez. Seja por causas das moratórias do crédito, seja porque achou perigoso.” Acresceu os serviços, como as conservatórias, a trabalharem a meio gás e os bancos com mais restrições nos serviços. Contas feitas: mais procura, mesmo que abaixo de antes da pandemia, e menos oferta levaram à subida de preços na maioria dos casos.

Referiu ainda o facto de as transações terem caído a pique, sobretudo no confinamento. Ainda sem número oficiais avançou uma quebra, em média, de 35% no número de imóveis vendidos naquele período.

Entre as exceções às subidas estão, por exemplo, os centros de Lisboa e Porto e, no caso da capital, as Avenidas Novas (como mostram os quadros). O especialista, justificou com o facto destas zonas já terem preços muito elevados, quase sempre interditos ao português médio, e que na ausência de estrangeiros para comprarem sofrem o efeito inverso, menos procura.

Quanto o tema são os arrendamentos há descida de preços, mas não é drástica.

 

 

 

 

 

 T3 Arrendados

 

 

 

Período

 

Amadora

V.F. Xira

EXPO

Almada

Gaia

Av. Novas

1º Trimestre

2020

940€

710€

1.750 €

830 €

756 €

1.944 €

2º Trimestre

2020

757€

 975€

1.727 €

787 €

638 €

1.525 €

 

 

%

-19%

37%

-1,3%

-5,18%

-5,18%

-21,55%

"O alojamento local parou e quem tinha imóveis teve de os rentabilizar e colocar no mercado de arrendamento, o que forçou para baixo os preços. Nas Avenidas Novas o preço da renda, mais uma vez pegando no exemplo de um T3, caiu cerca de 21,55% embora se mantenha na casa dos 1.525 euros", afirmou.

A manterem-se estes condicionamentos, “acredito que até final do ano possa continuar a baixa.”

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Alda Martins