Viver em Lisboa, para que é expatriado, já é menos caro. Sobretudo se compararmos com as líderes do estudo sobre as cidades com maior custo de vida a nível planetário. Hong Kong, Ashgabat e Tóquio.

De acordo com o estudo “Cost of Living Survey 2020” da Mercer, que foi desenvolvido para ajudar as organizações multinacionais e os governos a definirem estratégias de compensação para os seus colaboradores expatriados, a cidade de Lisboa desceu onze posições no ranking, passando da 95ª posição em 2019, para o 106º lugar em 2020.

Através do estudo, é ainda possível concluir que “o preço da gasolina em Lisboa (1,61 euros por litro de gasolina 95 octanas) é dos mais elevados tendo em conta as restantes cidades do ranking.”

Por outro lado, e comparativamente com a cidade mais cara do ranking, “o preço médio de produtos de limpeza, que inclui antissépticos, produtos de limpeza de casa ou detergente para máquina de lavar loiça, a cidade de Lisboa apresenta um custo médio de 32,90 euros e Hong Kong, a cidade mais cara do mundo para expatriados, o valor médio é de 37,80 euros.”

A cidade de Hong Kong figura no top do ranking das cidades mais caras para expatriados, seguida de Ashgabat, no Turquemenistão, que ocupa a segunda posição. Tóquio e Zurique mantêm-se nos 3º e 4º lugares, respetivamente, ao passo que Singapura, que ocupa o 5º lugar, desceu dois lugares, comparativamente ao ano de 2019.

A consultora chama, no entanto, a atenção para o facto de os dados terem sido recolhidos em março, altura em que “as flutuações de preço, em muitas, regiões não se revelaram significantes devido à pandemia.”

No top dez das cidades mais cara em termos de custo de vida é ainda possível encontrar Nova Iorque (5), Xangai (6), Xangai (7), Berna (8), Genebra (9), e Pequim (10).

Já as cidades menos caras para expatriados são Tunes (209), Windhoek (208) e Toshkent e Bishkek, que empatam no 206º lugar.

O estudo inclui mais de 400 cidades em todo o Mundo. O ranking deste ano inclui 209 cidades distribuídas pelos cinco continentes e analisa e compara os custos de mais de 200 itens em cada local, entre eles alojamento, transportes, comida, roupa, bens domésticos e entretenimento.

“O encerramento de fronteiras, a interrupção de voos, os confinamentos obrigatórios e outras perturbações a curto-prazo afetaram não só o preço de bens e serviços, como também a qualidade de vida dos expatriados”, afirma Tiago Borges, da Mercer Portugal, acrescentando que “as alterações climáticas, questões relacionadas com a pegada ambiental, e os desafios dos sistemas de saúde pressionaram as multinacionais a considerar como os esforços de uma cidade sobre a sustentabilidade podem impactar as condições de vida dos seus trabalhadores expatriados. Cidades com um grande enfoque na sustentabilidade podem melhorar consideravelmente os seus padrões de vida, o que, por sua vez, pode melhorar o bem-estar e envolvimento do trabalhador.”

A adequada verificação das localizações e compensações dos trabalhadores em projetos internacionais pode ser tão importante quanto dispendiosa. O estudo da Mercer demonstra que o custo de bens e serviços se altera consoante a inflação e a volatilidade da moeda, fazendo que os projetos no estrangeiro oscilem, por vezes, em gastos mais ou menos dispendiosos.

“As súbitas alterações nas taxas de câmbio foram maioritariamente impulsionadas pelo impacto que o Covid-19 está a ter na economia global”, refere ainda Tiago Borges. “Esta volatilidade pode afetar a mobilidade dos colaboradores nas mais variadas formas, desde a escassez e ajustamento dos preços de bens e serviços às interrupções nas cadeias de abastecimento. O mesmo acontece quando os colaboradores são pagos com a moeda local do país de origem e necessitam de fazer o câmbio para a moeda do país anfitrião para a realização de aquisições ou compras locais.”

/ ALM