Uma das faturas que mais pesa, mensalmente, no orçamento familiar é a energia. A Deco Proteste ajudou 24 famílias com 300 conselhos personalizados e no conjunto diz que chegaram a poupanças de 2.226 euros por ano.

Ao abrigo do projeto Clear 2.0, financiado pelo programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia, a Associação ajudou estas famílias a obterem um potencial de poupança anual de 18 MWh, evitando a emissão de 5.882 kg de emissões de CO2 na atmosfera, o equivalente a 37 viagens de carro a gasóleo (ida e volta Lisboa - Madrid). A coordenadora técnica do projeto, Isabel Oliveira, esteve na Economia 24, a revelar as conclusões.

“O potencial de poupança mais elevado é no aquecimento central. Quem já usava fontes de energias renováveis revelou um potencial menor, o que demonstra a mais-valia da aposta. A poupança anual varia entre 19 e 503 euros. No total, pouparam 2.226 euros com medidas simples e sem perder onforto”, disse.

A Deco Proteste começou por fazer o retrato energético de Portugal por regiões, tendo em conta as fontes de energia e os equipamentos utilizados para produção de águas quentes sanitárias e aquecimento ambiente. Selecionadas as famílias, fizeram uma visita para conhecer os equipamentos consumíveis de energia de que dispunham e os hábitos de consumo. Nessa visita, instalaram um dispositivo de monitorização dos consumos elétricos no quadro. Este aparelho permitiu recolher, em tempo real, o histórico dos consumos de eletricidade durante as 24 horas do dia.

E foi mais longe, para perceber o que esta mudança de hábitos poderia representar para o país.

Combinando os dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, Instituto Nacional de Estatística e Direção-Geral de Energia e Geologia, fizemos a extrapolação para Portugal. Considerámos quase 4 milhões de habitações permanentes. O perfil das famílias sem fonte de energia renovável representa 77% da população, enquanto o segundo perfil com fonte de energias renováveis corresponde a 23%. Se todas as famílias aplicarem estes conselhos, poderão ser poupados 5,5 TWh de energia produzida correspondente a 29% do consumo residencial de energia de Portugal”, refere Isabel Oliveira.

Isabel Oliveira “espera que mais portugueses abracem a mudança. A compra de sistemas de energia renováveis nem sempre é fácil, mas pequenos gestos acessíveis a todos podem fazer a diferença na fatura energética”, como por exemplo:

A responsável da Deco Proteste, deixou ainda algumas dicas práticas, das que foram utilizadas com estas famílias e que podem fazer a diferença lá em casa, como por exemplo:

  • Desligue os equipamentos da corrente. Não os deixe em stand-by. Pondere sobre a utilização de extensões elétricas com corte de corrente. Estas medidas simples valem 55 euros de poupança por ano.
  • Para águas quentes sanitárias, mantenha o regulador de temperatura do aparelho na posição “Eco” ou na temperatura mais próxima possível da usada na torneira. Com este gesto obtém uma poupança média de 41 euros por ano.
  • Instale redutores de caudal nas torneiras e cabeças de chuveiro certificadas pela ANQIP (Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais) - se juntarmos esta medida à anterior podemos chegar a poupanças na ordem dos 100 euros por ano.
  • Evite ao máximo fugas e torneiras a pingar.
  • Prefira o uso de duche, em vez do banho de imersão.
  • No inverno, aproveite o sol, abrindo as cortinas e/ou estores das janelas durante o dia e à noite feche-os.
  • No verão, feche as cortinas e/ou estores das janelas durante o dia e à noite abra as janelas para arrefecer a casa.
  • Faça uma descongelação regular do frigorífico e congelador.
  • Lave a roupa a baixas temperaturas.
  • Utilize o programa ECO da máquina de lavar loiça e a baixa temperatura.
  • Seque a roupa no estendal. Caso utilize um secador, escolha um modelo com bomba de calor e dobre-a assim que o programa acaba.
  • Coloque a tampa na panela ao cozinhar, sempre que a receita o permitir.
  • Relacione-se melhor com o ar condicionado, disse ainda Isabel Oliveira na Economia 24. "Um dos equipamentos mais eficientes para aquecer a casa é, de facto, o ar condicionado e é uma energia renovável. Mas notámos alguns problemas no aquecimento e arrefecimento. Nomeadamente, temperaturas muito excessiva no inverno, 30º. Não é de todo necessário. Se fizerem uma regulação para 21º, o aparelho funciona na mesma para aquecer a divisão, mas conseguem poupar 30 euros por ano.

Para já não há qualquer projeto novo, deste tipo, a arrancar, mas pode sempre entrar em contacto com a Associação para qualquer dúvida ou registar-se no chat, criado a pensar na partilha de dicas de poupança energética.

Se tiver dúvidas sobre este ou outros temas, envie e-mail para economia24@tvi.pt