Juros baixos diz o bolso que é bom para quem pede ou tem de pagar dívida. Sejam particulares, empresas ou Estado. Já se pensamos em poupar o caso muda de figura.

No caso das famílias, a realidade dos últimos anos, mostra um novo “normal”: taxas de juro negativas.

Esta sexta-feira, as Euribor subiram hoje a três meses, mantiveram-se a seis e desceram para novos mínimos de sempre a 12 meses. A taxa a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação, manteve-se em -0,342%, contra o atual mínimo de sempre, de -0,344%, em 5 de julho. Sinais negativos também nas restantes maturidades e assim devem permanecer nos próximos anos. Nos mercados financeiros, a data esperada para o regresso a valores positivos tem sido sucessivamente adiada e, no caso da taxa a três meses, é agora a primavera de 2024.

O economista Pedro Lino esteve na Economia 24 para explicar as consequências deste fenómeno e se temos, e facto razões para nos sentirmos aliviados.

“Como a eleição de Christine Lagarde, a líder do Fundo Monetário Internacional, para substituir Mario Draghi, no Banco Central Europeu, fica também afastado o candidato alemão que tinha uma postura mais defensiva e possivelmente preferiria que as taxas subissem mais rapidamente, por que a poupança alemã está a ser afetada.”

Taxa negativas é bom para quem tem um crédito, seja à habitação ou ao consumo, mas é preciso cuidado.

Tem sido uma excelente época para se refinanciarem e até terem almofadas financeiras [no caso dos países] e para crédito muito mais barato [no caso dos consumidores]. O problema do crédito ao consumo é que o crédito desaparece, mas a dívida continua lá para ser paga, mesmo que a taxa de juro seja zero”, diz Pedro Lino.

Para o economista “o facilitismo permite que as pessoas pensem em pedir mais, mas os perigos de longo prazo continuam.”

Com os juros negativos por mais tempo volta a impor-se a questão das taxas fixas ou variáveis, na hora de pedir um crédito à habitação. Segundo o responsável “há cada vez mais a contratação de crédito variável.” Para os bancos o risco é maior se estabelecerem uma taxa fixa a 30 ou 40 anos, que neste momento rondaria 1,5% [se a economia recuperar e as taxas subirem estarão a perder]. Para as famílias a taxa variável também é melhor no curto prazo, por que como a taxa de juro está negativa é mais apelativo terem um crédito variável por que, neste momento, pagam menos.

 O lado B desta moeda é o rombo para quem poupa por que pouco ou nada ganha em um depósito.

Há cerca de três semanas a Caixa Geral de Depósitos anunciou que não ia pagar juros nos depósitos poupança quando o valor fosse inferior a um euro, mas acabou por voltar a traz. Pedro Lino comenta que “esta política de taxas de juros negativas está a obrigar as pessoas a procurarem alternativas aos depósitos. Quem é avesso ao risco e procurava nos depósitos uma segurança, neste momento vê-se sem qualquer remuneração nos próximos 4 ou 5 anos.”

A situação acaba por levar as pessoas a procurarem riscos que e calhar não são proporcionais ao seu perfil. “Há que invista em imobiliário por que consegue 4%, por exemplo, mas esquece-se que é um mercado menos líquido. Investem no mercado financeiro sem terem os conhecimentos adequados. Esta situação vem claramente com mais risco para o depositante”, acrescenta.

E neste caso o que é importante reter para não fazer opções erradas?

“Estar atento aos esquemas e promessas de rentabilidade de 1% ao mês e 10% ao ano. É preciso não cair na tentação da ganância. As promessas que circulam, de 1, 2% ao dia, são completamente mentira.”

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