Na passada sexta-feira saíram as notas dos exames do secundário. Além dos nervos habituais, quem prepara a entrada na faculdade tem uma tarefa acrescida. Encontrar alojamento. E apesar das férias a pesquisa já começou. A presidente de Federação Académica de Lisboa, Sofia Escária, esteve na Economia 24 para dar algumas dicas sobre esta pesquisa.

Convém começar a procurar alojamento já?

Sim. Este é o momento para começar a pesquisa. Há muitos estudantes que já frequentam o ensino superior e que procuram alguém com que dividir o alojamento. A própria candidatura pressupõe que qualquer estudante que queira ter lugar em uma residência indique, no momento da candidatura, que pretende aceder a uma vaga.

Por onde começar?

Quando fazem a candidatura no site da direção-geral do Ensino Superior podem indicar se pretendem candidatar-se a uma bolsa e a um lugar em uma residência. Além disso, a procurar online é a mais viável por que tem um pouco de tudo. Podem consultar nas várias páginas das instituições de ensino superior, o que têm disponível em termos de residências por que são muitas e estão espalhadas.

São suficientes?

Não, mas são algumas e podem começar por perceber se é viável tentarem essa opção. Depois apostarem em soluções alternativas.

Então as residências continuam a não ser suficientes, concretamente em Lisboa?

Só temos mais 300 camas. Só estamos a albergar 9% do total dos alunos universitários deslocados na área metropolitana. Para quem tem poucos recursos, facilita o facto de haver sempre a preferência dada aos bolseiros e a quem já estava na residência – de acordo com as novas regras.

Mas isso aumenta o problema para os novos estudantes e para os que já existem, mas não têm bolsa?

Certo.

O mercado de arrendamento é uma alternativa?

Infelizmente não se vislumbra qualquer melhoria. Os valores do preço médio por metro quadrado da renda continuam em iguais, nos 4,39 euros. Com Faro a ser mais caro que o Porto e Lisboa a rondar mais de 6 euros por metro quadrado.

Quem consegue ganhar a bolsa e ficar em uma residência tem suficiente para viver na capital?

Infelizmente não. Estes bolseiros recebem cerca de 75 euros, valor que está indexado ao Indexante de Apoios Sociais. No caso de um bolseiro que não esteja numa residência receberá cerca 212 euros no próximo ano letivo, mas isso não é suficiente para pagar um quarto que ronda os 500 euros [quanto mais pagar tudo].

Podemos acreditar em mais alternativas para este ano?

Não sei, mas há sinais de que pode haver melhoria nos próximos anos. Por exemplo, a Câmara de Lisboa está muito atenta ao tema, concretamente com a reabilitação de imóveis devolutos que vão servir para acolher estudantes e cujos quartos rondarão os 200 euros e até menos.

Em alternativa, há juntas de freguesia que estão a tentar perceber se, nos casos dos idosos, é possível acolher alunos em suas casas e combater o abandono destas pessoas. Acresce a possibilidade de isenção da taxa turística para os estudantes que não têm alternativas se não ficarem em hostels ou pousadas da juventude.

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