As telecomunicações continuam a liderar a lista das reclamações que chegam à Deco. No ano passado foram quase 29 mil os consumidores que se queixaram à associação sobre o setor. em dez anos ultrapassam os 500 mil queixosos, 28.826 só em 2019.

Números que estão a diminuir, mas que, mesmo assim, levam a Deco a pedir mais proteção.

É que os motivos da queixa são variados. “Desde a velocidade anunciada da internet ao período de fidelização, passando pela dupla faturação, refidelização, práticas comerciais desleais, cobrança pela fatura em papel e dificuldade no cancelamento do contrato”, diz a Associação num relatório divulgado esta quarta-feira.

Acrescentado que “o processo de migração para a TDT, com a atuação da Anacom, a publicidade enganosa das operadoras e a deficiente estratégia de implementação do plano do apagão analógico lesou muitos milhares de consumidores.”

Segundo um relatório, no total a associação que defende os consumidores somou mais de quatro milhões e meio de reclamações em dez anos, 343.310 no ano que passou.

Depois das telecomunicações, ficam no pódio das queixas a energia, água, serviços financeiros e vendas agressivas.

As vendas agressivas motivam cerca de quatro mil reclamações por ano. As práticas comerciais desleais, porta-a porta, pelo telefone e pela internet foram uma constante ao longo destes 10 anos. Acrescem problemas relativos à garantia dos bens e ao não cumprimento do prazo de livre resolução do contrato (14 dias)”, diz o comunicado.

Quanto a alguns dos bens essenciais: “Embora em 2015, 100 mil portugueses tenham conseguido, com o apoio da Deco, a devolução de cerca de 40 mil euros das cauções dos serviços públicos, as reclamações relativas à energia e água continuam: prescrição e consumos excessivos, dupla faturação, complexidade da fatura e atraso no seu envio.”

A subir estão as denúncias relativas ao transporte aéreo e a prestadores de serviços turísticos.

As denúncias relativas ao transporte aéreo [de que a Deco destaca o caso Ryanair] aumentaram (…) O constrangimento de voos e as práticas comerciais desleais demonstram que este setor permanecerá no ranking da próxima década”, frisa o documento.

Também a falência das transportadoras áreas e dos prestadores de serviços turísticos e de lazer, por exemplo, Marsans e Vida é Bela, foi uma constante nos últimos anos.