O Natal é um tempo em que se trocam presentes e para as crianças esse momento é particularmente importante. Com tanta oferta de brinquedos, a dificuldade é mesmo escolher. A presidente da Associação para a Promoção da Segurança Infantil, Sandra Nascimento, esteve na Economia 24 para dar uma ajuda nesta tarefa e complementámos as suas repostas com as do guia que podem encontrar no site a associação.

1- Como é que se escolhe um bom brinquedo?

Interessa, em primeiro lugar, que seja interessante e apelativo para a criança e depois ajustado à sua idade e capacidades. Ou seja, confirme sempre que o produto é o mais indicado para as suas necessidades e que se adapta às funções pretendidas e ao espaço disponível.

Em termos de segurança, varia bastante com a idade, por exemplo:

Até aos 3 anos

- não pode ter peças muito pequenas

- não pode ter fios muito compridos

- se for um peluche ou um brinquedo maleável não podem ter elementos que se possam soltar

Depois do 3 anos

- brinquedos que a criança sobe e tem de se suster, como um cavalinho ou uma bicicleta/  trotineta brinquedo, devem ser estáveis

Ainda mais "crescidos"

Desde logo, perceber se há avisos com limitações de idade, ou restrição de peso. Se há alguma limitação em termos de ambiente. Por exemplo, os brinquedos científicos têm indicações especificas para as condições em que devem ser feitos – normalmente com a vigilância de um adulto e com um equipamento para proteger os olhos ou as mãos. Se o produto exigir montagem ou instalação respeite sempre as instruções do fabricante. Confirme que o produto tem instruções de utilização em português. Leia-as e guarde-as sempre para consulta futura.

Não nos podemos esquecer que os brinquedos têm normas de segurança e uma legislação e os pais podem encontrar nos pontos de venda, online ou físicos, indicadores para uma boa escolha. Por isso, opte por artigos que cumpram a respetiva norma de segurança (pode ser europeia ou portuguesa). As normas, apesar de serem facultativas, definem os requisitos de segurança na concepção e construção do produto, oferecendo mais garantias de evitarem acidentes na sua utilização.

2 - As preocupações ambientais também já estão presentes em muitos brinquedos?

Sim, em alguns, depois da criança deixar de usar, há indicações sobre como devem ser colocados no lixo os vários elementos, como as pilhas, imens, baterias.

3 - Os brinquedos em segunda mão são seguros?

Podem ser. Mas os pais têm de ter a noção, neste caso, que têm de ser mais críticos na escolha. A utilização do brinquedo por outra criança pode ter partido partes do mesmo ou deixado peças à mostra que colocam em causa a segurança. Não compre artigos de puericultura em segunda mão, sobretudo cadeiras para o carro. É muito difícil conhecer as condições em que foram usados e avaliar a sua segurança.

4 - E se optar por artigos emprestados?

Nesse caso utilize apenas os que estão em bom estado de conservação, de preferência recentes e que tenham as instruções de montagem e utilização.

5 - Soubemos que a Europa está cheia de brinquedos chineses "tóxicos" e que a marcação CE, afinal,não é um selo de garantia de qualidade?

É uma marcação obrigatória, colocada pelo fabricante e que é uma declaração do próprio de que o produto será seguro. Em teoria não podem haver produtos que não sejam seguros. Temos que assumir esta marca como presunção de segurança. Cabe ao consumidor fazer uma “inspeção” quando compra e uma "inspeção" antes de o dar às crianças. No caso dos brinquedos, confirme que está indicado o tipo de produto, o número do lote, da série ou do modelo ou outro elemento que permita a identificação do produto. Se detetar produtos ou brinquedos à venda que não apresentem a informação referida denuncie a situação.

6 - Como me previno se precisar de reclamar e para onde devo fazê-lo?

Confirme que em todos os artigos que compra está indicado o nome do fabricante ou a marca e um endereço para contacto. Guarde toda a informação para referência futura. Será essencial caso seja necessário solicitar uma troca ou apresentar uma reclamação. Se na utilização de algum produto ocorrer um acidente, se tiver dúvidas sobre a sua segurança ou considerar que é perigoso, deve participá-lo. Contacte imediatamente a Direção Geral do Consumidor ou a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica). Poderá apresentar a situação através dos formulários disponibilizados em www.consumidor.pt e www.asae.pt

Veja também: ASAE apreende 1.250 brinquedos em operação de fiscalização por todo o país

7 - Será melhor comprar em loja ou em sites?

Opte por comprar em lojas e sites de confiança. No caso das compras online - Formação e-COM 4 CHILDREN sobre comércio eletrónico de produtos seguros para crianças- é um projeto transnacional em construção e a partir de março qualquer pessoa poderá ter acesso, gratuita e online, a dicas e indicações sobre como fazer uma compra segura na internet. O mais complicado destas compras é o facto de não podermos ver. O que aconselhamos, porque o site é também um ponto de venda, é que façam o mesmo que fazem na loja física: procurem, vejam as fotografias, os avisos, as informações, a descrição dos materiais.