A média mensal de passageiros nos transportes públicos no Médio Tejo cresceu mais de 10% entre abril e setembro deste ano, fruto do Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART), Foi hoje anunciado.

Segundo o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), Miguel Pombeiro, todas as medidas de redução tarifária e aumento de oferta previstas no Plano de Aplicação das Dotações do PART no Médio Tejo foram concretizadas, tendo sido já aprovado em Conselho Intermunicipal a intenção de dar continuidade às medidas em 2020, “dependendo agora da formalização com a Secretaria de Estado das Infraestruturas e com os operadores”.

Em resposta à Lusa, a CIMT afirma que o crescimento superior a 10% (em comparação com o período homólogo de 2018) desde o início da aplicação do PART, em abril, foi mais sentido no serviço ferroviário e no de transporte a pedido.

Até ao momento, foram comparticipadas, no âmbito do PART, 5.165 assinaturas no serviço ferroviário e 6.325 no serviço rodoviário interurbano em operação no Médio Tejo”, disse.

Segundo Miguel Pombeiro, a CIMT está a avaliar, junto da CP-Comboios de Portugal, a “possibilidade de alargamento da medida de redução tarifária no serviço ferroviário para as assinaturas flexipasse (título da CP para um número ilimitado de viagens, num percurso predefinido), que possuem grande relevância no território, em especial na relação com as CIM envolventes”.

A CIMT aplicou cerca de 90% dos 870.984 euros do PART alocados à região na redução dos custos dos passes sociais e dos bilhetes nos transportes a pedido, com as assinaturas do serviço ferroviário (regional e inter-regional) e do rodoviário a baixarem 40%, o mesmo desconto aplicado sobre o valor pago pelos passageiros nas assinaturas de estudante do serviço rodoviário.

Também as assinaturas dos serviços de transportes urbanos de Abrantes, Entroncamento, Tomar e Torres Novas sofreram reduções e as tarifas do serviço de transporte a pedido foram “simplificadas” para valores de bilhete de 1 euro, 1,5 euros e 2 euros.

Nas medidas para aumento de oferta, nas quais foram aplicados os restantes 10% da verba, o serviço de transporte a pedido foi alargado à zona sul do concelho de Tomar e implementado no concelho de Vila de Rei, servindo ligações intermunicipais.

Na próxima segunda-feira “arranca a implementação de novo serviço de transporte a pedido entre cidades do Médio Tejo (LINK)”, adiantou.

Miguel Pombeiro afirmou que, após “estabilização dos moldes de operacionalização das medidas aprovadas, com os operadores envolvidos”, foi remetida ao Fundo Ambiental uma versão atualizada do Plano de Aplicação da Dotação do PART no Médio Tejo, contendo algumas alterações.

Estas incluíram ajustes no descritivo das medidas, nas estimativas de custos e na calendarização, bem como um acréscimo na redução nas assinaturas de estudante do serviço rodoviário, a partir de setembro, aplicando os 40% de desconto no valor pago pelo passageiro, nos casos em que não são comparticipadas a 100% pelos municípios.

Frisando que as medidas de redução tarifária foram planeadas tendo em conta o financiamento disponível, Miguel Pombeiro adiantou que está neste momento a ser feita uma avaliação do seu impacto para “planeamento sobre novas medidas para 2020”.

O secretário executivo da CIMT adiantou que, na reunião do Conselho Intermunicipal da CIMT realizada na passada quinta-feira, foi aprovado o início do procedimento de concurso público para concessão do serviço público de transporte de passageiros do Médio Tejo.

Segundo afirmou, os documentos de fundamentação da concessão e peças do procedimento foram já remetidos à Autoridade de Mobilidade e Transportes para emissão de parecer prévio vinculativo.

A CIM Médio Tejo integra onze concelhos do distrito de Santarém (Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha) e dois do distrito de Castelo Branco (Sertã e Vila de Rei).

Teve "impacto grande" na Lezíria

Já o presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) disse hoje à Lusa que o PART teve um “impacto grande” no custo de vida para muitos cidadãos da região.

Pedro Ribeiro afirmou que ainda não existem números concretos que permitam aferir o impacto das medidas adotadas, dada a complexidade do tipo de títulos envolvidos, sobretudo no meio ferroviário, o predominante nos movimentos pendulares para Lisboa.

Contudo, há a perceção de que houve “um impacto muito positivo” no rendimento das famílias e de que, com o aumento do custo da habitação em Lisboa, muitos estudantes passaram a optar pela deslocação diária para a capital.

Segundo o autarca, apesar de grande parte das deslocações da região para Lisboa ser feita de comboio, também se registou um aumento no serviço rodoviário, sobretudo a partir dos concelhos do sul do distrito, como é o caso de Benavente.

Segundo o secretário executivo da CIMLT, António Torres, o ‘feedback’ recebido por parte dos operadores “é positivo”, estando prevista a entrega dos dados sobre o aumento de passageiros até 20 de janeiro de 2020.

A CIMLT aplicou a totalidade do valor que lhe foi atribuído no âmbito do PART, um milhão de euros, na redução do tarifário, com um desconto de 35% em todo o transporte rodoviário e 30% no transporte ferroviário regional, tendo ainda sido criado um passe com o valor de 40,5 euros no serviço ferroviário urbano entre Azambuja e Lisboa.

No entanto, em virtude da proximidade à Área Metropolitana de Lisboa e consequente forte peso das viagens pendulares entre a Lezíria do Tejo e a capital, o financiamento atribuído não foi suficiente para acompanhar os níveis de desconto praticados nas sub-regiões limítrofes, nomeadamente na Área Metropolitana de Lisboa”, refere a resposta da CIMLT à Lusa.